Mais uma vez, Renan se livra da cassação no Senado

Por 48 votos a 29, senador alagoano foi absolvido da acusação de uso de 'laranjas' na compra de rádios em AL

04 de dezembro de 2007 | 20h32

Pela segunda vez este ano, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) se livrou da cassação. Ele foi absolvido no plenário da Casa por 48 votos a 29, e 3 abstenções. Renan Calheiros não votou, portanto, foram contabilizados no total 80 votantes. Ele era acusado de comprar, em nome de "laranjas", duas emissoras de rádio e um jornal diário, em Alagoas, em sociedade com o usineiro João Lyra.  Após o presidente interino do Senado, Tião Viana, anunciar o resultado da votação, a sessão foi encerrada. Sorridente, Renan recebeu cumprimentos dos colegas senadores. Em um canto do plenário estavam familiares, entre os quais sua mulher Verônica e seu irmão, o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE).  Veja também:  Cronologia do caso   Entenda os processos contra Renan  Na sua opinião, o caso Renan teve o desfecho merecido?  Leia a íntegra da carta de renúncia de Renan  Leia a íntegra do parecer que pede a cassação de Renan   Viana convocou para a próxima terça-feira, dia 11, uma reunião do colégio de líderes para marcar a data da eleição do novo presidente do Senado. A previsão é de que a votação poderá ocorrer na próxima quarta-feira, dia 12, mas o líder do governo no Senado, Romero Jucá, estaria tentando um acordo com a oposição para adiar essa eleição. O objetivo é evitar que a disputa venha prejudicar a votação da prorrogação da CPMF em 1º turno.   Antes do início do julgamento, Renan anunciou a renúncia à presidência da Casa e logo em seguida os senadores começaram a discutir o processo de sucessão, que ficou para semana que vem. Por conta da série de denúncias contra ele, o senador se licenciou do cargo em 11 de outubro.  Nesta terça, foi julgada a terceira das seis representações no Senado. Duas delas já foram arquivadas e as demais ainda não foram examinadas.  Ao anunciar sua renúncia, Renan disse que agiu de acordo com sua "consciência". "Compreendo que presidir a casa é conseqüência das circunstâncias políticas e quando elas mudam é aconselhável que se deixe o cargo. Renuncio assim, sem mágoas, e de cabeça erguida. Agi de acordo com a minha consciência e com o pensamento voltado para o povo de Alagoas", afirmou.  Sucessor de Renan O nome mais cotado para substituir Renan é o do peemedebista Garibaldi Alves (PMDB-RN), não só por integrar a maior bancada, que tradicionalmente tem direito ao cargo, mas por ter conquistado também os votos da oposição desde que se lançou candidato a cerca de 40 dias.  A escolha do partido, segundo o líder Valdir Raupp (PMDB-RO), será feita nesta quarta-feira, na reunião da bancada. Raupp disse que se surgirem outros candidatos, fará uma eleição interna para apontar o preferido dos 20 senadores da bancada. O senador Neuton do Conto (SC) anunciou que quer o cargo. É seu primeiro mandato no Senado e ele próprio reconheceu que tem poucas chances de ser escolhido.  Também José Maranhão (PB), Edison Lobão (MA) e Leomar Quintanilha (TO) são citados como adversários de Garibaldi, apesar de serem visto com restrição pela oposição. Contra Maranhão, pesa a denúncia de que teria engordado seu patrimônio, em um ano, com mais de 800 bois não declarados à Receita Federal. Lobão se mudou há pouco do DEM para o PMDB e não teria os votos de seus ex-colegas de bancada. Já Leomar, irritou a oposição nas vezes em que manobrou como presidente do Conselho de Ética para adiar a votação dos processos contra Renan.  Não há clima nem entre os governistas nem na oposição para o Palácio do Planalto impor o senador José Sarney (PMDB-AP) como candidato. Os recados enviados até agora, de que Sarney seria a escolha do governo, não foram bem recebidos. E o próprio Sarney já declarou que não quer ser presidente.  A líder do governo, Ideli Salvatti (PT-SC), chegou a defender que o processo de sucessão pode se estender pelos próximos 30 dias. Para tanto, o Regimento teria de ser ignorado por todos os líderes, o que não é o caso."Tentaram dar um golpe, mas na daremos respaldo", avisou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). Demóstenes Torres (DEM-GO) lembrou que o Regimento só pode ser descumprido por ato unânime dos líderes em benefício da Casa. "E este não é o caso", alegou.  PSDB e DEM ameaçam lançar um candidato, se o nome do PMDB não agradar. Seria no caso o de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), dissidente do apoio ao governo e que nem de longe atende às expectativas do Planalto. Mas o próprio Jarbas avisa que não disputará a vaga, nem na condição de candidato avulso. "Eu voto com Garibaldi", avisa. Virgílio deixa claro que a reação se daria no caso de o PMDB optar por um nome "não aceitável", como o de José Sarney. Ele já disse em plenário e repete agora que a sua rejeição vem do fato de Sarney ter se omitido na "crise ética, política e de liderança" enfrentada pelo Senado este ano na presidência de Renan Calheiros.   (Com Cida Fontes e Rosa Costa, do Estadão)  Texto atualizado às 21h07 

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