Mais uma crise na base governista

A escolha do substituto de José Roberto Arruda no posto de líder do governo no Senado abriu uma pequena crise entre os partidos da base de apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A opção pelo senador Geraldo Melo (PSDB-RN), anunciada na manhã de ontem, desagradou tanto ao PFL queobrigou o escolhido pelo Palácio do Planalto a desistir ao cargo no mesmo dia da indicação. Ex-governador do Estado e com bom trânsito entre governistas e oposicionistas, Geraldo Melo foi vetado pelo PFL por conta de uma questão regional: ele é adversário local do senador José Agripino Maia, vice-presidente do partido. Depois de uma reunião da cúpula do PFL, o presidente da legenda, senadorJorge Bornhausen (SC), informou ao Planalto que a indicação era inaceitável.Agripino sofreu três dissabores em pouco tempo. Gostaria de ter disputado a presidência do Senado com Jader Barbalho (PMDB-PA), mas não obteve o apoio do PFL. Tentou obter a indicação para um ministério, com a saída dos indicados por Antonio Carlos Magalhães, porém fracassou de novo. Mais recentemente, foi um dos poucos a defender o ex-ministro da Integração Regional Fernando Bezerra, acusado de se beneficiar de verbas da Sudene. Logo em seguida o ministro foi afastado.Os dirigentes do PFL avaliaram que precisavam fazer de tudo para impedir que Agripino enfrentasse mais um revés, com a indicação de um adversário para a liderança do governo. Diante da reação, Geraldo Melo telefonou no início da noite para o secretário-geral da Presidência, Aloizio Nunes Ferreira, e abriu mão do cargo. Depois de comunicado do Planalto, avisou ao líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), que acabara de devolver o posto. "Graças a vocês que me vetaram", queixou-se. "Eu não posso entrar na liderança criando problema para o governo." No meio da tarde, a bancada do PFL tinha indicado Agripino para discutir com o governo a escolha. Hugo Napoleão afirmou que o gesto representava um desagravo a Agripino. "É só um sinal de alerta. Estão indicando um líder sem nos ouvir?", disse Napoleão, ameaçando tomar atitudes drásticas, como orientar a sua bancada a boicotar Geraldo Melo. Napoleão descartou, no entanto, a possibilidade de o partido, em represália, apoiar a CPI da Corrupção.

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