Mais uma criança indígena morre por subnutrição

Mais uma criança indígena é vítima fatal da subnutrição nas aldeias da Reserva Indígena de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. É o quarto caso do gênero que ocorre na reserva este ano. O menino da etnia guarani-caiová, de um ano e dois meses de idade, estava internado no Hospital da Missão Caiová daquela cidade, devido à desnutrição. Foi retirado do local pela mãe sem ordem médica, e acabou morrendo, por volta de 22 horas do último domingo.Segundo o coordenador de saúde da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o pediatra Zelik Trajber, a causa morte foi desidratação aguda. "A mãe caminhou 15 quilômetros com a criança no colo, sob forte calor, do hospital até a casa de parentes". Ele explicou que muitas famílias indígenas da reserva não aceitam internações dos filhos, principalmente as que consomem bebidas alcoólicas.Pelo menos 80% dos 800 servidores da Funasa cuidam da saúde indígena e distribuição de cestas de alimentos na Reserva de Dourados, onde vivem cerca 11 mil índios em quase 3 mil hectares, região sul do Estado. O programa estadual Segurança Alimentar completava a distribuição de alimentos nas aldeias, porém o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), suspendeu as entregas, inclusive para os sem-terra acampados alegando que "índios é problema da Funai e sem-terra do Incra". Ele diz que já enviou proposta à União para retomar os programas. SuperlotaçãoHá quase dois anos, foi formada uma comissão multidisciplinar para resolver os problemas existentes na Reserva Indígena de Dourados. O principal deles, que é a falta de espaço para os 11 mil habitantes do local, seria solucionado com a ampliação ou transferência da reserva para uma área maior. Funai, Incra, Ministério Público Federal, governo do Estado e prefeituras fazem parte da comissão.

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