Mais um líder rural é assassinado no Pará

A polícia do sul do Pará, abriu hoje inquérito para apurar o assassinato do presidente da Central Única das Associações de Pequenos e Médios Produtores Rurais de Marabá e presidente do Assentamento da Vila Cupu, Jorge Luiz Ribeiro Machado, 46 anos. No final da tarde de sábado, ele foi morto de tocaia, recebendo um tiro de escopeta que dilacerou parte do lado esquerdo do rosto.O crime aconteceu quando a vítima estava ao volante de um caminhão de sua propriedade. O pistoleiro atirou de um ponto estratégico na mata, onde estava escondido. Somente nos três primeiros meses deste ano quatro sindicalistas foram mortos na região. A morte de Machado revoltou os agricultores. Ele era muito querido no assentamento. Embora fosse o líder dos assentados e pessoa com maior poder aquisitivo na área, sendo inclusive dono de uma madeireira e de vários caminhões, Machado era tido como o benfeitor da comunidade. Recentemente, havia doado um gerador de luz para o assentamento, além de empregar vários trabalhadores. Aparentemente não tinha inimigos. Ligado à Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), o sindicalista lutou para que cada uma das mais de cem famílias do local tivesse seu lote e crédito do governo para plantar. Sua luta havia angariado a simpatia em outros assentamentos de Marabá. Machado sempre era convidado para comandar reuniões de agricultores ou intermediar negociações com fazendeiros. "Perdemos um grande companheiro, que sempre lutou pela reforma agrária", comentou Antonio Carvalho, o Cajazeiras, coordenador da Fetagri no sul do Estado. Adriano Machado, filho da vítima, evita falar sobre o crime. Entende que o assassino de seu pai poderia exercer algum tipo de represália contra a família. "Nessas horas, é melhor ficar calado". O delegado Edivaldo Machado, que investiga o crime, disse que vários trabalhadores do assentamento serão chamados para depor sobre o caso. Ele não quis falar sobre dois suspeitos que poderiam ter armado a emboscada contra o sindicalista. Integrante em Marabá do diretório municipal do PSDB, Machado teve os custos de seu funeral pagos pela prefeitura. "Ele foi mais uma vítima da violência em nossa região", resumiu o prefeito Sebastião Miranda (PSDB).

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