Mais um deputado deixa o Conselho de Ética

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) anunciou, nesta sexta-feira, que se desligou do Conselho de Ética da Câmara a partir de hoje. O deputado havia atendido aos apelos do presidente do colegiado, Ricardo Izar (PTB-SP), e concordado em esperar a conclusão dos processos ainda pendentes: de Vadão Gomes (PP-SP) e de José Janene (PP-PR).O deputado afirmou que não poderá mais esperar os processos que não deverão ser concluídos neste mês. "Hoje, nós reiteramos a renúncia. A indignação que nos move não pode esperar uma data", afirmou Sampaio, por telefone. Segundo o deputado, há um "sentimento de repulsa pelo que o plenário tem feito, desconsiderando o Conselho de Ética".Sampaio é o sétimo titular do Conselho de Ética que decidiu desligar-se do colegiado em protesto pela série de absolvições pelo plenário de deputados acusados de envolvimento no mensalão. Ontem, anunciaram suas renúncias os deputados titulares Júlio Delgado (PSB-MG), Chico Alencar (PSOL-RJ), Orlando Fantazzini (PSOL-SP) e Benedito de Lira (PP-AL). Além deles, também anunciaram suas renúncias os suplentes Cezar Schirmer (PMDB-RS) e Cláudio Magrão (PPS-SP). Os deputados Nelson Trad (PMDB-MS) e Marcelo Ortiz (PV-SP) assinaram o pedido de desligamento, mas resolveram ficar no conselho até que os processos estejam concluídos. Como os deputados estão fora de Brasília, apenas formalizou seu desligamento do cargo o deputado Fantazzini, entregando um ofício à secretaria da Mesa da Casa.PizzaOs integrantes do conselho reclamam que o plenário da Câmara desrespeita o colegiado e julga o parlamentar sem levar em conta as provas do processo, votando de acordo com o relacionamento pessoal que mantém com o acusado ou por suas simpatias e antipatias. "É um gesto dramático de quem quer mostrar ao País que não dá mais para trabalhar sem ter como norte provas", afirmou Sampaio.Até agora, dos 11 processos em que o conselho recomendou a cassação, o plenário já votou 9 e mudou seis conclusões, confirmando apenas a cassação do ex-ministro José Dirceu, do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e de Pedro Corrêa (PP-PE). O conselho propôs duas absolvições que foram respaldadas pelo plenário: Pedro Henry (PP-MT) e Sandro Mabel (PL-GO).

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