Mais sem-terra receberão Bolsa-Família

Segundo ministério, serão atendidos acampados listados pelo Incra que aguardam lotes

Roldão Arruda, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

O Ministério do Desenvolvimento Social anunciou ontem que incluiu mais 382 mil famílias na lista de pagamento de benefícios do Bolsa-Família. Em agosto outras 550 mil serão acrescentadas à lista.Trata-se da primeira etapa de um plano que visa a estender o programa a 1,8 milhão de novas famílias até o final de 2010. Com isso, a lista de pagamento passaria dos atuais 11,1 milhões de famílias para 12,9 milhões.De acordo com assessores do ministério, as prefeituras receberam orientação para ir atrás das pessoas em situação de maior risco, sob o ponto de vista da segurança alimentar. Isso inclui moradores de rua, populações quilombolas e grupos indígenas.A lista de grupos visados ainda inclui a população de acampamentos da reforma agrária, conforme informou no domingo a Folha de S. Paulo. Ontem, assessores do ministério explicaram que somente serão atendidos acampados listados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), à espera da regularização dos lotes que irão ocupar. Grupos que invadirem propriedades não serão incluídos.Ao comentar a iniciativa, o economista João Pedro Stédile, principal líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) observou que seria melhor se o governo investisse mais na reforma agrária. "Essa é a pauta que preocupa o MST", afirmou. "O governou cortou em 48% os recursos do orçamento desse ano, com a desculpa da crise. Isso é uma vergonha."Stédile também lembrou que o governo se recusa a rever os índices de produtividade rural, que estariam desatualizados. Com a mudança seria possível desapropriar mais terras para a reforma."Milhares de famílias estão acampadas esperando terra e não apenas comida", afirmou. "Estamos preocupados em discutir um projeto de distribuição de renda, sem ficar limitado a pequenas questões, tais como distribuir comida para pobre. Isso é secundário agora."Ainda segundo Stédile, seria mais interessante discutir com o ministério formas de ampliar a implantaçao de pequenas agroindústrias nos assentamentos e aumentar os recursos do programa de compra da produção de pequenos agricultores, mantido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

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