Mais duas denúncias contra Jader: mentira e "pedágio"

Os partidos de oposição decidiram reforçar nesta segunda-feira a representação que fizeram contra o presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA) no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Paulo Hartung (PPS-ES) vão encaminhar ao órgão mais duas denúncias contra Jader.Uma delas é sobre o fato dele ter mentido em plenário, ao declarar que registrou na declaração do Imposto de Renda a fazenda Chão Preto, que comprou em 1998 de José Osmar Borges, tido como o maior fraudador da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).A operação, no valor de R$ 1,7 milhão, só chegou ao conhecimento da Receita Federal após ter sido divulgada pela imprensa.A outra denúncia contra Jader é sobre o "pedágio" de US$ 5 milhões que ele teria cobrado do empresário David Benayon para autorizar a liberação de um empréstimo de US$ 40 milhões da Sudam.Na representação que encaminhou ao conselho na quarta-feira passada, a oposição mostra que Jader Barbalho cometeu crime de perjúrio ao se referir ao relatório do Banco Central sobre a sindicância realizada no Banpará.De acordo com a senadora Heloisa Helena (PT-AL), Jader afirmou textualmente em plenário que ?apesar do esmero, do interesse dos agentes de fiscalização, não chegou a nenhum indício ou prova que pudesse me indiciar?.O próprio banco se encarregou de divulgar documentos desmentindo suas declarações.O cerco a Jader também prevê a apresentação de um recurso ao plenário do Conselho de Ética, caso seu presidente decida por conta própria encaminhar a representação da oposição ao Ministério Público sem examiná-la.O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), que passou essa informação ao presidente interino do Senado, Edison Lobão (PFL-MA), não confirma nem nega de que isso vá realmente ocorrer.Na nota que divulgou na semana passada, Mestrinho afirma que não adotará no conselho nenhuma medida prejudicial ao interesse público.Seus assessores afirmam que ele está no interior do Estado e só deve pronunciar-se em agosto, no retorno dos trabalhos do Congresso.Em vez de acalmar os integrantes do conselho, o silêncio de Gilberto Mestrinho tem levado boa parte deles a reagir contra qualquer tipo de acordo para poupar Jader da abertura de um processo por falta de decoro parlamentar.O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), assegurou, antes de viajar ao exterior, que os quatro representantes do partido no conselho de ética não vão omitir-se.Bornhausen deve oficializar essa posição no dia 2, quando retornará a Brasília.O líder do PDT, senador Sebastião Rocha (AP), disse nesta segunda-feira que chegou a pensar em interromper suas atividades no interior do Estado para checar se havia mesmo um acordo para impedir a abertura de um processo contra Jader, como chegou a ser divulgado.Ele disse que mudou de idéia, ao perceber que a informação não tinha fundamento.

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