Mais dois deputados entram na lista dos sanguessugas

Mais dois deputados entraram na lista dos atingidos pelo escândalo dos sanguessugas: Cleonâncio Fonseca (PP-SE) e Paulo Feijó (PSDB-RJ). Seus nomes estão registrados na lista de "contas a pagar" mantida pela Planam, empresa acusada de comandar o esquema que usava dinheiro do Orçamento da União para pagar ambulâncias superfaturadas. A relação está gravada nos computadores da firma apreendidos pela Polícia Federal.Além de o nome registrado nesse livro-caixa eletrônico, Cleonâncio é mencionado nos grampos da PF e figura entre os deputados que podem ser investigados depois de uma análise em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Feijó, por sua vez, foi citado como um dos deputados envolvidos no esquema pela ex-funcionária do Ministério da Saúde Maria da Penha Lino, durante depoimento à polícia.No total, são 12 os parlamentares registrados no livro-caixa como recebedores de dinheiro da Planam. Destes, apenas um integra o grupo dos 16 sob investigação pela comissão de sindicância encarregada pela Câmara de apurar a participação de parlamentares nas fraudes. É praticamente certo que os deputados identificados no livro-caixa eletrônico passarão a ser objeto da apuração interna, o que elevará para 27 o total de parlamentares na mira da sindicância.Na avaliação da Polícia Federal e de integrantes da comissão, a lista de "contas a pagar" da Planam é o documento mais grave e contundente obtido até o momento, comparável apenas aos grampos telefônicos em que depósitos e pagamentos em dinheiro são combinados de forma explícita. A reportagem telefonou para o gabinete do deputado Cleonâncio às 18:50, mas ninguém atendeu. A assessoria do deputado Paulo Feijó informou que ele estava viajando e, informada do assunto da reportagem, prometeu repassar o recado.No Senado Federal, o corregedor Romeu Tuma (PFL_SP) afirma que pretende investigar o eventual envolvimento da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) no esquema. As evidências contra a senadora são fracas: ela está registrada em uma extensa lista também apreendidas pela PF nos computadores da Planam na qual estão registradas centenas de emendas apresentadas por parlamentares para a compra de ambulâncias. Na Câmara, esse arquivo não é considerado critério para colocar parlamentares sob suspeita.Nesta quinta, um dos deputados investigados formalmente pela comissão de sindicância apresentou uma defesa surpreendente. O mato-grossense Ricarte de Freitas (PTB) apresentou uma declaração por escrito do colega licenciado Lino Rossi (que também está na lista de pagamentos da Planam) o dono da voz dos grampos da PF. Nos grampos encaminhados à Câmara, a PF identificou como sendo Ricarte o interlocutor de Penha em um diálogo no qual há suspeitas que o assunto é propina.Na conversa, que envolve a liberação de recursos do Orçamento para um convênio, Lino, (e não Ricarte) arremata: "Quando sair o convênio, tenta segurar (...) deixa eu pegar e levar na mão dele, senão escapa o nosso Natal aí, minha fia (sic)". Mas, por enquanto, não é certo que Ricarte deixe o grupo dos investigados.Apesar do erro da PF, há telefonemas dos empresários presos para o gabinete do deputado, numa evidência de que ele tinha relação direta com os mesmos. Além disso, Ricarte é citado por Penha em seu depoimento à PF entre os envolvidos no esquema. Agora, a comissão parte para o exame dos pagamentos do livro-caixa em nome de assessores de parlamentares.

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