Mais de 300 sem-terra invadem sede do Incra no MS

Reivindicações estão contidas em 12 itens, entre eles 'dar vida digna às famílias e não apenas servir uma minoria'

João Naves de Oliveira, de O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 15h00

Mais de 300 sem-terra invadiram nesta quarta-feira, 5,  a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Campo Grande no Mato Grosso do Sul. O grupo estava acampado no canteiro central da Avenida Afonso Pena, em frente ao órgão desde 10h de terça-feira. Por volta de 8 horas, decidiram ocupar o prédio por tempo indeterminado, segundo garantem os líderes. São homens, mulheres e crianças ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), CUT (Central Única dos Trabalhadores ) e Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura). Eles tomaram conta do local, com colchões, panelas, alimentos, lona plástica e aguardam o atendimento por parte do Incra, às reivindicações contidas em 12 itens, entre eles "dar vida digna às famílias e não apenas servir uma minoria". Lamentam a situação precária dos assentamentos implantados pelo Incra em Mato Grosso do Sul "onde faltam água potável, moradia digna, assistência técnica e melhoria das vias de escoamento da produção". Também reclamam da administração do atual superintendente, Flodoaldo Alencar, afirmando em nota distribuída aos jornalistas que "não foi assentada sequer uma família, enquanto que a meta era de assentar 4.360 famílias em 2008". O documento explica que centenas de famílias foram retiradas dos acampamentos instalados nas margens de rodovias do MS, e "jogadas em fazendas transformadas em verdadeiras favelas rurais. São pré-assentamentos, onde milhares de trabalhadores rurais esperam há dois anos, o loteamento e a distribuição de lotes por parte do Incra". Ressalta também a "lentidão e descaso do governo federal para com a reforma agrária". Para Flodoaldo, a manifestação é "agressiva e injusta, porque os sem-terra não estão considerando a série de problemas enfrentados pelo Incra, principalmente na obtenção de terras para a reforma agrária no Estado, além dos períodos de greve dos funcionários responsáveis pelo significativo atraso nas realizações do órgão. Apesar disso vamos atendê-los, na medida do possível".

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