Mais da metade do PI e do CE estão em estado de emergência

A situação é devido aos efeitos da seca por falta de água; serviço era feito pelo Exército, mas foi suspenso

Luciano Coelho e Carmen Pompeu, do Estadão

29 de agosto de 2007 | 18h20

Dos 223 municípios do Piauí, 137 municípios decretaram estado de emergência devido aos efeitos da seca por falta de água para abastecimento humano e animal e por perda da safra agrícola. A população tem que ser atendida com carro-pipa e cestas de alimentos. O serviço era feito pelo Exército brasileiro e foi suspenso, porque será assumido pela Secretaria Estadual de Defesa Civil.  O Governo Federal liberou R$ 14 milhões para atender 299 municípios nordestinos afetados pela seca, mas apenas dois do Piauí foram beneficiados com tais recursos. O diretor de programas especiais da Defesa Civil, James Silva, disse que nenhuma verba que foi solicitada para os municípios em emergência foi liberada até agora. Nem para poços, nem para carro-pipa. O processo de decretação de situação de emergência por estiagem e seca segue um procedimento de verificação, com diagnósticos e uma extensão burocracia de documentos. Dos 137 municípios que decretaram emergência, 21 municípios têm pendências e falhas nos processos, falta de documentos. 19 municípios foram encaminhados para a homologação pelo governo; oito município tiveram os decretos homologados e foram encaminhados para Brasília. Outros 89 municípios já tiveram os decretos reconhecidos pelo Governo Federal, mas ainda não foram atendidos com nada. O Ministério da Integração Nacional prometeu liberar recursos na ordem de R$ 2.524.635,00 para garantir o abastecimento de água através de carros-pipas. Outros R$ 3.133.085,00 foram prometidos para a recuperação e equipagem de poços artesianos, de forma a ampliar a oferta de água potável e infra-estrutura hídrica em 110 municipios, beneficiando 25.910 pessoas na região do semi-árido. O problema é que até agora, nenhuma dessas promessas foi cumprida. A população tem cobrado ajuda do poder público, porque em regiões do semi-árido e do cristalino, região pedregosa que tem dificuldade para captação de água,  As lideranças políticas alegam que se passaram 60 dias da visita do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, que prometeu a liberação dos recursos para combater a seca na sede da Associação Piauiense dos Municípios (APPM). Alguns representantes políticos estão apelando para campanhas junto a iniciativa privada, já que não tem assistência do poder público, para atender as famílias flageladas pela seca, sobretudo no semi-árido piauiense. Ceará No Ceará, 55% dos municípios estão em estado de emergência decretado e reconhecido por causa da seca. O Ministério da Integração Nacional liberou, na última semana, R$ 14 milhões para dar continuidade ao Programa Emergencial de Distribuição de Água, a chamada operação carro-pipa. O dinheiro irá socorrer os municípios nordestinos atingidos pela estiagem. No Ceará, 102 cidades serão atendidas pelo programa, que também inclui Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. O Ceará é o Estado com o maior número de municípios beneficiados, seguido pela Paraíba com 91 municípios, Rio Grande do Norte (62), Pernambuco (38), Bahia (5) e Piauí (2). De acordo com a 10ª Região Militar, responsável pela distribuição de água no estado, no momento, apenas 23 municípios cearenses, que haviam decretado emergência ano passado, estão sendo ajudados pelo governo federal. É que mesmo já tendo sido liberados, os recursos ainda não chegaram. Por enquanto, as prefeituras, como a Quixeramobim, a 210 quilômetros de Fortaleza, têm arcado sozinhas com o abastecimento de água para a população.

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