Mais 400 mil servidores podem parar

Cerca de 400 mil servidores prometem entrar em greve amanhã, por tempo indeterminado. Eles reivindicam um aumento de 75,48% referente às perdas salariais de janeiro de 1995 a dezembro de 2000, período no qual não foi concedido reajuste ao funcionalismo. Os servidores do INSS, da Saúde e os que trabalham nas áreas técnico-administrativas de instituições de ensino estão em greve há mais tempo. O presidente Fernando Henrique já se posicionou contrário ao reajuste de salários baseado em perdas inflacionárias, pois considera isso uma volta da indexação salarial.Setores do governo sinalizaram com a possibilidade de um aumento entre 5% e 7%, mas o percentual só será conhecido no final do mês, quando será enviado ao Congresso o orçamento para 2002. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que fixa as linhas gerais do orçamento para o ano seguinte, o aumento do funcionalismo não foi incluído, o que gerou críticas na oposição e na base de apoio ao governo.Com a greve, ficam paralisadas diversas atividades em todo o Brasil. Nas Universidades Federais, por exemplo, as matrículas já foram prejudicadas e a paralisação dos professores deve prejudicar em definitivo o início do semestre letivo. "É a maior adesão à uma greve na história da nossa entidade", confirmou o presidente da Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior (ANDES), Roberto Leher. Órgãos como o IBGE, Ibama, Funai e Incra também terão seus trabalhos suspensos.Algumas categorias, como os auditores da Receita Federal, vão realizar assembléias para decidir se param amanhã ou esperam um pouco mais. "Além das assembléias estaduais, vamos marcar uma reunião com todos os delegados, na semana que vem, para decidir os rumos do nosso movimento", confirmou o diretor de comunicação social do Unafisco, Carlos Eduardo Mantovani. No ano passado, os auditores da Receita ficaram em greve por cinco meses, realizando operações tartaruga nas Aduanas de todo o país.A situação dos servidores do Judiciário Federal, que inclui Justiça Federal, do Trabalho, Eleitoral, Militar e do Ministério Público da União, também é bastante específica. Na semana passada, 13 Estados paralisaram as atividades por 48 horas, como uma forma de protesto. "Devemos aderir à greve por tempo indeterminado, como os demais servidores públicos", confirmou o coordenador-geral da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União (Fenajufe), Adilson Rodrigues Santos.

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