Mais 18 bancos dos EUA têm supostas contas de Estevão

Com a quebra de sigilo das contas bancárias abertas em nome de Leo Green e James Tower, em Miami, que supostamente seriam do senador cassado Luiz Estevão, a força-tarefa do governo e Ministério Público Federal descobriu movimentações ativas de 14 pessoas jurídicas em mais 18 bancos dos Estados Unidos.Segundo os investigadores, provavelmente as contas serviriam para receber depósitos para o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, acusado de desvio de R$ 169 milhões do Fórum Trabalhista de São Paulo. Nesta quarta-feira, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, defendeu a idéia de Nicolau continuar preso. Sua posição foi expressa em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pede a manutenção da prisão do ex-presidente do TRT."Em que pese tratar-se de pessoa de idade provecta, primária e de bons antecedentes, não há como afastar a magnitude das condutas a ele imputadas e a necessidade de manutenção da custódia preventiva", afirmou Brindeiro.Os investigadores não informaram quais foram as movimentações realizadas nos 18 bancos e nem quem seriam os 14 titulares das contas, mas confirmaram que pode haver novas provas contra Luiz Estevão. "O rastreamento foi feito a partir das duas contas atribuídas ao ex-senador", informou um dos investigadores.Segundo ele, tudo poderá ser esclarecido em pouco tempo. As últimas investigações feitas pelo grupo também confirmaram que a empresa Ontario Financial Ltd, nas Ilhas Virgens, pertence mesmo a Nicolau e sua mulher, Maria da Glória.A empresa off-shore é mais uma das várias que foram encontradas nos paraísos fiscais e chegou a movimentar quase US$ 6 milhões de forma ilegal. Segundo um dos investigadores do grupo, Luiz Paulo Telles Barreto, com a descoberta das movimentações nos bancos americanos - que estão sendo mantidos em sigilo - o trabalho pode ser facilitado. "Estamos com boas perspectivas para os próximos dias", afirmou Telles Barreto.Segundo ele, durante a apuração foram encontradas diversas outras contas, porém estas estão vazias. "Mas detectamos movimentação de até US$ 5 milhões", afirma Barreto. A partir de agora, o governo brasileiro vai se empenhar para formalizar um acordo com a Suíça para que sejam repatriados quase US$ 4 milhões que Nicolau depositou em bancos daquele país.Pelas leis suíças, o dinheiro só pode voltar à sua origem depois de comprovada a culpa do depositante. Neste caso, o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) teria de ser condenado para que o dinheiro desviado das obras do fórum volte ao Brasil."Mas estamos tentando um novo acordo antes do julgamento de Nicolau", afirmou Barreto. A força-tarefa também está tentando o mesmo acordo com as Bahamas, para onde Nicolau teria desviado grande parte do dinheiro que enviou para o exterior.

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