Maioria dos senadores recebe também como ex-governadores

Ex-governadores, juízes, promotores, procuradores, delegados e auditores da Receita Federal estão entre as principais profissões dos cerca de 150 parlamentares que se beneficiam do "teto dúplex", segundo reportagem do Estado deste domingo. Parte deles desfruta de uma polpuda aposentadoria que, somada ao vencimento de parlamentar, ultrapassa o teto salarial fixado pela Constituição, hoje de R$ 24.500. A aposentadoria da maioria dos senadores é de ex-governador. Uma das poucas exceções é Romeu Tuma (PFL-SP), de 75 anos, delegado aposentado de São Paulo. "Quando fiz 70 anos me aposentaram compulsoriamente", conta o senador, que garante receber R$ 5.200 brutos pela polícia. O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), ganha R$ 8.500 mensais como ex-governador. O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) acumula pensão de ex-governador do Maranhão e benefício do Tribunal de Justiça do Estado, além do salário de senador. Os três benefícios extrapolam o teto de R$ 24.500. Mas não são todos os que comandaram um Estado que requisitaram aposentadoria: os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) abriram mão do benefício. Na Câmara, parte considerável de aposentados saiu do Judiciário ou do Ministério Público. Nessa situação, estão deputados como Michel Temer (PMDB-SP), Denise Frossard (PPS-RJ), Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), José Thomaz Nonô (PFL-AL) e Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP), que abriu mão da aposentadoria de ex-governador de São Paulo, mas mantém a pensão de procurador de Justiça do Estado. Nonô, vice-presidente da Câmara, acumula o salário de deputado com o de procurador de Justiça de Alagoas, que rende outros R$ 15.000 mensais. Foi dele a defesa da resolução que legalizou o "teto dúplex", em abril. "Você tem de ser remunerado se está prestando um serviço. Eu não trabalho de graça para ninguém." Há casos como o do senador Demóstenes Torres (PFL-GO), promotor de Justiça, que tentou receber seu salário da ativa, abdicando do ganho de parlamentar, assim que conquistou uma cadeira no Congresso. O Senado não permitiu. "Queria estar recebendo o meu salário de promotor de Justiça de Goiás porque estaria ganhando o dobro do que ganho hoje", disse Demóstenes, antes do aumento de 90,7%.

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