Maioria do PMDB vai apoiar PT em SP, diz Temer

Presidente nacional do partido defende apoio a Dilma Rousseff enquanto Orestes Quércia, líder estadual do PMDB, apoia Serra

Gustavo Porto, de O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 14h22

RIBEIRÃO PRETO - O presidente nacional do PMDB e da Câmara dos Deputados, Michel Temer, afirmou nesta sexta-feira, 30, que pretende "trazer para a aliança nacional (com o PT) a maioria do partido em São Paulo", o que significaria apoiar as candidaturas de Dilma Rousseff à Presidência da República e do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo paulista. A posição de Temer é contrária à do presidente estadual do PMDB, o ex-governador Orestes Quércia, que defende o apoio ao PSDB, representado pelos pré-candidatos José Serra e Geraldo Alckmin. Quércia, inclusive, já teve o nome lançado como pré-candidato ao Senado por essa coalizão tucana.

 

Apesar de admitir que há possibilidade de intervenção no diretório do PMDB paulista, Temer afastou uma ação deste gênero. "(A intervenção) Não é tradição do PMDB, o que nós vamos fazer é trazer para a aliança (com o PT) a maior parte do PMDB de São Paulo e acho isso viável; sinto que há uma possibilidade grande do apoio de prefeitos, lideranças e delegados" afirmou o deputado e nome mais cotado na legenda para ser o vice de Dilma na disputa presidencial.

 

Temer, que visita a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), comentou as negociações entre PMDB e o PT nas disputas de outros Estados. Em Pernambuco, o presidente nacional do PMDB considera que não há possibilidade de acordo entre os dois partidos. Naquele Estado, o PMDB deve indicar o senador Jarbas Vasconcelos, com o apoio do DEM e do PSDB, e o PT deve apoiar o atual governador Eduardo Campos (PSB). "Não vemos isso em Santa Catarina e no Paraná, onde teremos um acordo", disse.

 

Já em Minas Gerais, Temer avalia que uma decisão sairá na próxima semana e que caminha para uma chapa com o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB), com o candidato a vice do PT. Temer avalia ainda que os embates no Pará, entre Ana Júlia Carepa (PT) e Jader Barbalho (PMDB), e na Bahia, entre Jaques Wagner (PT) e Geddel Vieira de Lima (PMDB), deverão ao menos dar palanques duplos para Dilma.

 

 

Já em Mato Grosso do Sul, onde o governador André Puccinelli (PMDB) ameaça apoiar o tucano José Serra (PSDB) à Presidência, caso o governo e o partido fomentem um palanque duplo com seu inimigo e ex-governador Zeca do PT, Temer acredita em uma solução inusitada: a ausência de Dilma e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral. "A tese é o palanque duplo ao inverso; se a Dilma e o Lula não forem em Mato Grosso do Sul, quem sabe o André Puccinelli faz a campanha dele por conta própria, sem dar palanque para ninguém", avaliou.

 

Temer afirmou ainda que o PMDB irá trazer o equilíbrio para a aliança com o PT, inclusive com uma posição moderada na elaboração do plano de governo. "O PT tem seu plano de governo, o PMDB trabalha num plano que será mais moderado; vamos juntar os dois e o PMDB fará o papel de equilíbrio da coalizão", concluiu.

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