ED FERREIRA/ESTADAO
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Maioria do Conselho de Ética da Câmara recebeu doações de empreiteiras da Lava Jato

Dos 16 integrantes indicados até agora, quatorze receberam quantias de empresas que estão na mira da operação

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 19h04

Brasília - Quatorze indicados a integrar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados receberam recursos financeiros para campanhas eleitorais de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. O corregedor parlamentar Carlos Manato (SD-ES) também recebeu doações no ano passado.

Dos nomes que já figuram como componentes do Conselho estão os deputados Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), Cacá Leão (PP-BA), Mauro Lopes (PMDB-MG) e Washington Reis (PMDB-RJ). Do bloco liderado pelo PMDB, só Lázaro Botelho (PP-TO) não recebeu recursos das empreiteiras Engevix, Odebrecht, UTC, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

No bloco parlamentar encabeçado pelo PT, José Carlos Araújo (PSD-BA), Leo de Brito (PT-AC), Sérgio Brito (PSD-BA) e Zé Geraldo (PT-PA) receberam ajuda financeira no pleito de 2014. Dos indicados até o momento, só Valmir Prascidelli (PT-SP) não recebeu doações de empreiteiras. 

Todos os indicados do bloco liderado pelo PSDB receberam ajuda das empreiteiras, entre eles Betinho Gomes (PSDB-PE), Júlio Delgado (PSB-MG), Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) e Sandro Alex (PPS-PR). Marcos Rogério (PDT-RO), candidato à presidência do colegiado há dois anos, também recebeu doações.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), determinou a instalação do colegiado na próxima quarta-feira, 11. Dos 21 componentes, 16 titulares já foram confirmados pelos partidos. Doze suplentes não foram oficializados ainda.

Os deputados envolvidos na Operação Lava Jato tendem a ser submetidos ao colegiado assim que a lista da Procuradoria-Geral da República for divulgada oficialmente. As representações no Conselho são apresentadas por partidos políticos.

Nesta semana, Cunha disse que ninguém poderia ser colocado em suspeição e que todos os deputados poderiam integrar o colegiado. "É claro que ele (parlamentar arrolado na Lava Jato) não vai ser relator de nenhum processo em relação a esse assunto. Para mim, não vejo nenhuma dificuldade. Quem está aqui é igual a todo mundo", afirmou o peemedebista. O peemedebista disse que o Conselho vai analisar a questão da quebra do decoro parlamentar "sem interferência" externa.

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