Maioria das vítimas de crime não vai à polícia

A maioria das vítimas de furto, arrombamento, agressão física ou sexual não procura a polícia. Pesquisa realizada em quatro capitais ? São Paulo, Rio, Vitória e Recife ? indica que 73% do total de casos relativos a esses tipos de violência não foram registrados em distritos policiais nos últimos cinco anos.A exceção fica por conta do roubo de carros, em que apenas 4% das ocorrências deixaram de ser notificados, e motos, com 38%. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, e fazem parte de levantamento realizado pelo Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud), em parceria com a Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo.?Não se trata de um problema específico do Brasil, mas de um fenômeno mundial?, diz o coordenador do estudo, o sociólogo Túlio Kahn, afirmando que levantamentos anteriores apontaram índices semelhantes no País. ?Em países desenvolvidos, onde a população confia mais na polícia, as taxas mudam pouco.? Segundo ele, a Argentina apresenta taxa média de subnotificação de 64% e os Estados Unidos, 48%.Os motivos vão desde a descrença na eficácia da ação policial até a vergonha de registrar a queixa, no caso de agressão sexual. Casos de violência física também são deixados de lado quando a vítima conhece o agressor. O mesmo ocorre quando o valor do dano é baixo.A pesquisa abrangeu 11 tipos de delito, sem incluir assassinato, e foi encomendada pelo Gabinete de Segurança Institucional para orientar ações do Plano Nacional de Segurança. Foram entrevistadas 2.800 pessoas nos meses de maio e junho. O estudo mostra que 35% dos entrevistados foram vítimas de pelo menos um dos 11 tipos de delito entre 1998 e 2002.Na Argentina, segundo Kahn, o índice médio foi de 41%; no Panamá, 33%; e em Portugal, 15%. Entre os entrevistados que recorreram à polícia, o índice de satisfação com o resultado foi de 34%, quase a metade do verificado em levantamentos semelhantes nos Estados Unidos: 61%. Kahn destacou que há ?boa receptividade? da população a ações preventivas e de caráter social.Segundo ele, 75% dos entrevistados disseram que apóiam programais sociais com jovens, proporção mais alta do que os 61% favoráveis ao aumento da duração das penas para criminosos. Os 11 tipos de crime pesquisados foram: roubo de carros, roubo de motos, arrombamento, roubo, agressão física, furto dentro de carro, furto, agressão sexual, tentativa de arrombamento, roubo de bicicleta e depredação de carro. As taxas mais altas de subnotificação foram registradas no roubo de bicicletas (92%) e depredação de carros (94%).

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