Maior problema nesta eleição é a boca de urna, diz Saulo

O secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que o maior problema que a polícia vem enfrentando no Estado neste domingo de eleições é o de coibir a ação dos cabos eleitorais profissionais, pagos por candidatos para abordar os eleitores a menos de 100 metros das urnas. O maior número de ocorrências vem sendo registrado no município de Diadema, na Grande São Paulo, e na zona Leste da capital paulista, em bairros como Parque do Carmo, Cidade Tiradentes e Jardim Aricanduva."O procedimento que os policiais estão adotando é primeiramente argumentativo, com a abordagem ao cabo eleitoral e pedido para que ele se retire da área", explicou Saulo. "Nos casos em que há reincidência, a ordem é prender o indivíduo, que está infringindo uma lei eleitoral."Foi o que aconteceu no caso do candidato Valdir Pereira da Silva, que concorre à prefeitura de Franco da Rocha pelo PDT. Segundo o secretário, o irmão do sindicalista Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, insistiu em fazer boca de urna a menos de 100 metros de um colégio eleitoral do município pelo qual concorre e, como não respeitou o pedido da polícia militar para se retirar do local, um juiz eleitoral, acionado pela PM, ordenou a sua prisão.O secretário disse ainda que as informações recebidas até o momento dão conta de que o político apresentava indícios de embriaguez e portava uma arma de fogo ilegal, cujo registro estava no nome de uma empresa, que não lhe pertence. "Por isso ele deverá ser indiciado por importunação, boca de urna e porte ilegal de armas", afirmou.Segundo Saulo, até às 13 horas deste domingo, não havia outros registros de prisão por conta da prática de boca de urna. O secretário acrescentou que as infrações registradas ao longo do dia eram, em sua maioria, de brigas e agressões físicas, que nada têm a ver com as eleições.Para garantir o bom andamento do processo eleitoral a secretaria de Segurança destacou um efetivo de 27,5 mil policiais militares, que estão trabalhando por todo o Estado de São Paulo. Apenas na capital paulista, trabalham 25 mil, ao lado de 8 mil outros policiais civis. É de responsabilidade deles a proteção aos juízes, promotores e urnas.O secretário destacou ainda as ações para coibir o transporte de eleitores de suas residências até as urnas, prática muito comum em cidades do interior e considerada crime eleitoral grave. Para se ter uma idéia, a condenação no caso de roubo qualificado é de dois anos, enquanto que nesse tipo de infração varia de quatro a seis anos."Estamos jogando duro com esse pessoal", acrescentou Saulo. "A orientação, nesses casos, é apreender o veículo, prender o motorista e indiciar o candidato que estiver promovendo essa prática", completou. Segundo ele, para garantir que os eleitores que porventura estiverem dentro desses veículos apreendidos exerçam o seu direito ao voto, a polícia e a justiça eleitoral providenciarão sua locomoção até suas respectivas seções eleitorais.

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