Maior parte das terras não foi homologada

Das 28 terras indígenas do Estado de São Paulo, apenas 13 já foram reconhecidas e homologadas por lei, de acordo com o administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Amaury Vieira. Das 15 que estão em processo de identificação e reconhecimento, seis se sobrepõem às unidades de conservação, como os parques estaduais. São quase mil índios praticamente sem assistência, reconhece. "As áreas são de acesso difícil e a construção de moradias ou sistemas de saneamento esbarra na questão legal." É o caso da aldeia Peguaoti, com cerca de 150 índios da etnia guarani, no interior do Parque Estadual Intervales, em Sete Barras, no Vale do Ribeira.A área foi ocupada pelo grupo indígena há seis anos. Após a invasão, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado entrou com ação para remover os índios. O processo ainda não teve julgamento definitivo. De acordo com Vieira, os órgãos estaduais e federais não têm condições de realizar investimentos no local enquanto a situação não ficar definida. O mesmo ocorre com as tribos situadas no Parque Estadual Ilha do Cardoso e na Reserva Ecológica Juréia-Itatins. Para demonstrar que a situação fundiária repercute na qualidade de vida dos índios, ele apresenta dados de produção nas aldeias da região de Bauru, as primeiras a serem homologadas. Os indígenas criam gado e cultivam, além de milho e feijão, produtos como mandioca, abóbora, batata-doce e hortigranjeiros. Muitos indígenas possuem carros, TVs com parabólica e ampliaram suas casas. Vários fizeram curso superior, como a caingangue Regina, da aldeia Konepoti, que colou grau em enfermagem. No litoral sul e Vale do Ribeira, onde a maioria das tribos não tem áreas demarcadas, os índios subsistem do extrativismo vegetal e do artesanato. O guarani Oseias de Paula Evaristo, de 23 anos, percorre 15 quilômetros por dia em busca de orquídeas e palmito no entorno da aldeia Rio do Azeite, no Vale do Ribeira. Ele vende cada unidade, da planta ou do palmito, por até R$ 10 em feiras. Na Piaçaguera, a diretora da escola da aldeia, a índia Fabíola Cirino, formou-se em Magistério, mas desde criança morou na região.

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