Maior operação da PF caça 38 por desvios em obras do PAC

Polícia cumpre 231 mandados de busca e apreensão em sete Estados e no DF; desfalque é estimado em R$ 700 mi

Rosana de Cassia, da Agência Estado,

20 de junho de 2008 | 08h37

Cerca de mil Policiais Federais realizam nesta sexta-feira, 20, em sete Estados e no Distrito Federal a Operação João de Barro para desarticular o esquema de desvio de dinheiro público para obras de casas populares e estações de tratamento de esgoto, previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foram expedidos 231 mandados de busca e apreensão e 38 mandados de prisão temporária. Entre os procurados, estão empresários e funcionários públicos (veja a lista abaixo). A PF informou que a maioria dos mandados de prisão já foi cumprida, mas não passou o balanço da operação. Esta é a maior operação da Polícia Federal do ano em números. "Não é a mais importante da Polícia Federal, mas é, sim a maior operação em quantidade de policiais envolvidos e mandados de busca,", disse a assessoria da PF ao estadao.com.br.  Veja também: As ações da Polícia Federal no governo Lula O balanço do PAC Entre os mandados de busca e apreensão, um deles foi executado no gabinete do deputado João Magalhães (PMDB-MG), na Câmara. De acordo com a PF, não há pedido de prisão do parlamentar. Os agentes estão recolhendo papéis que devem ser levados para investigação. Esta não é a primeira vez que João Magalhães é investigado. Ele já é acusado pelo Ministério Público de Governador Valadares de liderar um esquema de fraudes de licitações em municípios do leste e do Vale do Jequitinhonha. A assessoria da Câmara dos Deputados disse que foi notificada da operação e informada sobre os mandados de busca e apreensão nos gabinetes. "Acompanhamos e facilitamos os trabalhos da PF", disse.  Além do gabinete do deputado Magalhães, agentes da PF também apreenderam documentos no gabinete de outro parlamentar mineiro, Ademir Camilo (PDT). Os policiais chegaram por volta das 10 horas e foram autorizados pela Polícia Legislativa, que acompanha o trabalho da PF. Os parlamentares não estão em seus gabinetes.  O desfalque, estimado em R$ 700 milhões atingia as chamadas Transferências Voluntárias, que compreendem recursos financeiros repassados pela União aos Estados, Distrito Federal e Municípios em decorrência da celebração de convênios ou empréstimos cedidos pela Caixa Econômica Federal e BNDES.  A polícia de Governador Valadares (MG) afirmou que pelo menos quatro pessoas já foram presas, entre elas donos de empreiteiras. A operação está sendo realizada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás, Tocantins e no Distrito Federal.  A partir de denúncias veiculadas pela imprensa, uma auditoria do TCU realizada em 29 municípios do leste de Minas Gerais revelou indícios de fraude na execução de obras. Em seguida, a investigação policial resultou na desarticulação de um esquema criminoso de desvio de verbas públicas destinadas, principalmente, à construção de casas populares e estações de tratamento de esgoto em vários municípios.Com menos dinheiro para a execução, as obras não apresentaram o padrão de qualidade e quantidade previsto no projeto original com o emprego de material de qualidade inferior, extensão da obra entregue menor que a estabelecida no projeto ou ainda a não realização da obra. Todos os mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Já os mandados de prisão foram expedidos pelo Juiz Hermes Gomes da 2ª Vara de Governador Valadares/MG. No curso da operação foi fundamental o apoio do judiciário em mais de uma instância, do Ministério Público Federal e da Controladoria Geral da União.  Veja o nome dos 38 procurados pela Polícia Federal: Abelmar de Almeida Rodrigues - empresário de Belo HorizonteAdair Pereira Barbosa - empresário de Governador ValadaresAlexandre Isaac Freire - funcionário público de BrasíliaAntônio Carlos de Carvalho - empresário de Governador Valadares Antônio José da Silva Filho - funcionário público de Governador ValadaresCarlos Alberto da Rocha Machado - empresário de Lagoa SantaCarlos Alberto Buzaferro Ferreira - lobista de Belo HorizonteEdson José Fernandes Ferreira - lobista de São PauloEduardo Luis Cabral - empresário de Governador ValadaresEduardo Luis Magalhães - empresário de Belo HorizonteEdvan Miranda - Belo HorizonteEliza Evangelista Carvalho - laranja de Belo HorizonteEvaldo Gomes de Figueiredo Junior - funcionário público de Governador ValadaresFernando Antonio Pinto - empresário de Governador Valadares Fernando Franco de Engnane - empresário de Governador ValadaresFrancisco Carlos Correa de Moura - empresário de Belo HorizonteFrederico Carlos de Carvalho Soares - funcionário público de Belo HorizonteÉrico Fonseca Sobrinho - lobista de Goiânia João Carlos de Carvalho - lobista de Belo HorizonteJose Assis Costa - empresário de CaratingaJose de Mello Kallas - empresário de Belo HorizonteJose Maria Alves de Carvalho - empresário de Governador ValadaresKleber Fabrício Silva - empresário de Governador ValadaresLuca Prado Kallas - empresário de Belo HorizonteLuis Claudio de Vasconcelos - funcionário público de BrasíliaMarco de Almeida Rodrigues - empresário de Belo HorizonteMarcio Andrade Bonilho - empresário de São PauloMarcio Miranda Soares - empresário de Governador ValadaresMary Rosania da Silva Lanes - funcionária pública de Governador ValadaresMaurilho Reis Pretas - empresário de Belo HorizonteMiciany Catarine Madureira - Belo HorizonteOtavio Augusto Gonçalves Jardim - funcionário público de BrasíliaPatricy Carneiro Desmotes - empresária de Governador ValadaresPaulo Roberto Miranda Soares - empresária de Governador ValadaresPierre Gonçalvez da Silva - empresária de Governador ValadaresRicardo Motta dos Santos - empresário de Belo HorizonteRoberto Correa de Moura - empresário de Belo HorizonteRudson Kerley de Oliveira - funcionário público de Teófilo Otoni (com Andréia Sadi, Bianca Pinto Lima e Paulo R. Zulinodo estadao.com.br, e Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo) Texto atualizado às 14h58

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