Danilo Fariello
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Maia vê ‘protagonismo excessivo’ do Judiciário no caso de ministra

Nos EUA, presidente da Câmara diz que suspensão da nomeação de deputada pode afetar votação de reforma

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2018 | 21h54

WASHINGTON – O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta terça-feira, 16, o que vê como “protagonismo excessivo” do Poder Judiciário e afirmou que a suspensão da nomeação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho pode afetar a votação da reforma da Previdência. “Acho que isso está desorganizando o Brasil”, disse Maia, em visita a Washington.

Em encontro na Câmara de Comércio Brasil-EUA, Maia observou que encara “sem nenhum tipo de otimismo” a votação da reforma da Previdência e ressaltou que o dia 19 de fevereiro é o prazo limite para sua aprovação neste ano. “Se você não conseguir votar em fevereiro, você não conseguirá votar mais”, afirmou.

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A jornalistas, Maia negou que tenha sido pessimista em sua avaliação. “Eu não posso ir para nenhum ambiente no Brasil ou no exterior e mentir. Já tem muito político mentiroso no Brasil, né? Acho que chega. Está na hora de a gente falar a verdade, e a reforma da Previdência não é uma votação simples.”

“Nós temos problemas hoje no Brasil na relação entre o Poder Judiciário e, principalmente, o Poder Executivo. Algumas decisões do presidente têm sido barradas pelo Judiciário, o que é grave”, ressaltou, em referência à liminar que suspendeu a nomeação da deputada do PTB para o Ministério do Trabalho. “Isso gera algum impasse dentro de um partido que não tem muitos votos, mas para essa votação, onde a gente sabe que não é fácil chegar ao número necessário, isso gera dificuldades e atrasa a capacidade de articulação do governo.”

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O parlamentar também acusou o presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Roberto Veloso, de mentir sobre a reforma da Previdência. “O juiz Veloso está defendendo o seu interesse e usa o exemplo do trabalhador, do motorista de ônibus, para defender a manutenção dos seus benefícios, da aposentadoria acima de R$ 20 mil, de seus auxílios.”

Veloso considera que a reforma da Previdência “vai ser nociva para o conjunto dos trabalhadores”.

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