Maia se diz vítima de ‘intrigas’ do governo

Presidente da Câmara afirma a Temer que não pretende indicar nome para o BNDES

Vera Rosa, Impresso

19 de outubro de 2017 | 10h03

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse na quarta-feira, 18, ao presidente Michel Temer que não quer indicar ninguém para o comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nem vai aceitar cargos no governo. Convidado para uma conversa com Temer no Palácio do Planalto, após a tensão dos últimos dias, Maia se queixou das “intrigas” do governo contra ele e disse não estar sendo respeitado.

A informação publicada pelo Estado de que o Planalto avalia substituir o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, emplacando no comando do banco um afilhado político de Maia, irritou ainda mais o deputado. A reunião entre Temer e Maia, fora da agenda oficial, ocorreu horas depois de o presidente almoçar com Rabello de Castro.

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“Querem passar a ideia de que estou atrás de cargos, o que não é verdade”, disse Maia ao Estado. “Se querem mudar, mudem, mas isso não é problema meu. Não estou pedindo a cabeça de ninguém.”

Logo após o encontro, surgiram rumores de que o deputado havia participado da reunião para tratar do rito de votação da segunda denúncia contra Temer, por obstrução da Justiça e organização criminosa, no plenário da Câmara. Em nota oficial, Maia não escondeu a contrariedade com o que chamou de “versão” dos fatos e negou que a denúncia tenha sido objeto da conversa no Planalto.

“Essa versão é falsa e quem a divulgou deve vir a público dizer por que o fez e com qual intenção”, escreveu Maia, ao sustentar que “o autor da falsa versão disseminada pelo Palácio do Planalto precisa repor a verdade dos fatos”. Nos bastidores, aliados do deputado dizem que ele atribui os vazamentos aos ministros Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Maia afirmou no comunicado que Temer o chamou ao Palácio “para esclarecer episódios recentes que deram margem a incompreensões”. Disse, em tom duro, que não havia sentido algum em tratar de rito processual de votação com o presidente de outro Poder, “muito menos quando é um deles que está sendo processado e julgado junto com seus ministros”.

EMBATES 

Na lista dos embates entre Maia e Temer estão as duras críticas que o presidente da Câmara fez ao governo após uma manobra do Planalto para que não fosse votada a medida provisória autorizando o Banco Central a firmar acordo de leniência com instituições financeiras. Para acalmar o deputado, às vésperas da votação da segunda denúncia contra Temer, o Planalto autorizou a substituição da MP por um projeto de lei, apresentado pelo deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).

Antes, Maia tinha dito que o governo e a cúpula do PMDB haviam dado uma “facada nas costas” do DEM ao assediarem parlamentares que já estavam em negociação com seu partido.

Não é a primeira vez que Maia reclama do desrespeito do governo. Desde 20 de setembro, quando chamou as articulações do PMDB de “facada nas costas”, o deputado já se queixou pelo menos outras duas vezes de não estar sendo tratado como deveria pelo Planalto.

Na conversa de quarta-feira, 18, o presidente da Câmara cobrou de Temer uma nova agenda de desenvolvimento para o País e disse que o governo tem dado passos errados, deixando de transmitir esperança à população. Na avaliação de auxiliares do presidente, Maia faz esse discurso porque é candidato à reeleição, em 2018, e quer se descolar da impopularidade de Temer.

“Querendo ou não, o Rodrigo (Maia) é uma opção institucional para o País”, disse a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), que faz oposição a Temer e tem organizado encontros de parlamentares com Maia. “Nessas reuniões nós discutimos o momento político. Agora, quem vai decidir o que vai acontecer é o plenário da Câmara.”

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