Werther Santana/Estadao
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Maia é o grande agente da reforma da Previdência, diz analista

Para cientista político Humberto Dantas, presidente da Câmara dos Deputados foi um dos principais responsáveis pela aprovação do projeto que muda as regras da aposentadoria no Brasil

Elizabeth Lopes e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2019 | 09h44

Depois de conduzir a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados em prazo recorde de quatro meses e com economia de R$ 933,5 bilhões aos cofres públicos nos próximos dez anos, montante não muito distante do impacto fiscal de R$ 1,2 trilhão previsto pela equipe econômica, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pode ser considerado o grande agente das mudanças nas regras de aposentadoria e celebrar o seu feito. "A conta que mais precisa ser engordada nessa matéria é a do Maia", avalia Humberto Dantas, cientista político e professor da FGV.

Na avaliação de Dantas, Rodrigo Maia conseguiu construir diálogos, mesmo num clima de embate e divergências, e mostrar que a Câmara dos Deputados está atuando com responsabilidade com a agenda de crescimento do País. "Se isso torna (Maia) popular ou impopular, se as pessoas gostam ou não da temática, não vem ao caso, é algo que precisa ainda ser analisado. Mas o fato é que ele é o grande agente articulador desta reforma, por vezes mais próximo ou mais distante de alguns ministros como Paulo Guedes ou Onyx Lorenzoni."

O cientista político destaca que agora que a matéria está sob o mando do Senado Federal, é preciso prestar atenção em um outro agente político, o presidente desta Casa Legislativa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Para Dantas, Alcolumbre também vai querer um papel de protagonismo e, portanto, poderá se colocar entre Maia e o presidente Jair Bolsonaro, negociando e olhando para essas duas frentes. "Precisamos olhar com atenção para este cenário", afirma, argumentando que isso poderá acirrar mais os ânimos e provocar alguns embates.

Indagado a respeito da tramitação da reforma da Previdência ter tramitado de forma célere em razão da liberação de emendas parlamentares pelo governo, o professor da FGV diz que isso sempre ocorreu em momentos de votações estratégicas. "Foi assim nos comandos de Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha e agora, Rodrigo Maia, na Câmara. Portanto, três presidentes da República viveram sob a lógica das emendas impositivas, que são liberadas em momentos estratégicos. Não há nada de diferente, pois mais hora ou menos hora elas terão de ser liberadas de qualquer jeito. O que existe é uma tentativa de se trazer uma narrativa diferente para um fenômeno absolutamente comum na nossa política."

 

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