Maia é derrotado após 16 anos

Prefeito do Rio não conseguiu evitar fracasso do DEM

Kelly Lima e Wilson Tosta, RIO, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2008 | 00h00

Três vezes prefeito do Rio, vitorioso em quatro eleições na capital em 16 anos, Cesar Maia (DEM) começou ontem a encerrar seu ciclo político na cidade sob hostilidade em sua seção eleitoral e reconhecendo a candidata do seu partido, Solange Amaral, já fora eliminada. "Temos pesquisas que indicam o Eduardo Paes em primeiro com 21 pontos e larga margem para o (Fernando) Gabeira sobre o (Marcelo) Crivella, de 17 a 10", disse, no Hotel Intercontinental, onde votara. A perspectiva de derrotar Maia animou o ator Ricardo Petraglia, que votava em urna próxima, a hostilizá-lo. "Graças a Deus vamos ficar livres do senhor, porque foi o pior prefeito que o Rio já teve", gritou. Solange rebateu. "Você está querendo palco", disse. Maia também reagiu. "É graças à democracia que você pode se expressar", respondeu.O incidente foi parte do clima de fim de festa que envolveu Maia e seu grupo político desde que ficou claro que sua administração, envolvida pela rejeição centrada sobretudo na classe média, não faria o seu sucessor e sofreria sua maior derrota política na prefeitura da capital. O resultado será ruim para quem, como o prefeito, fala em disputar o governo fluminense ou o Senado em 2010 e já foi considerado um dos principais líderes nacionais e formuladores do PFL/DEM. A ponto de, após o naufrágio pefelista em 2006, conseguir emplacar, como presidente dos Democratas, nova denominação do PFL, o filho, deputado Rodrigo Maia (RJ). Mas o prefeito não se altera com as críticas."Em muito pouco tempo vão descobrir que fui apenas um fundador na política", diz o prefeito, em tom de despedida e rebatendo críticas por sua prioridade à internet e por suas mudanças ideológicas. "Como disse Churchill ao trocar do partido Liberal para o Conservador: ?Troquei de partido, não de princípios?." Maia acumula uma história política de mais de 40 anos, que mescla a militância na esquerda radical (integrou a Corrente, racha do PCB, nos anos 60 e foi exilado no Chile), o ativismo como deputado trabalhista e social-democrata seguidor do governador Leonel Brizola nos anos 80 e a administração liberal-heterodoxa da prefeitura, nos 90 e início do século 21. Uma mistura que lhe permitia ter, no gabinete, fotos de líderes tão díspares como Lenin, chefe da Revolução Soviética, e Margareth Thatcher, papisa do neoliberalismo anglo-saxão. Também militou ao lado da esquerda revolucionária na juventude e do conservador Antônio Carlos Magalhães na maturidade. "A política monetária do PT no governo federal talvez explique melhor", responde, em alusão às mudanças dos petistas no poder.

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