Maia é criticado por adversários em debate no Rio

A segurança pública foi o tema que dominou o segundo debate com os cinco candidatos a prefeitura do Rio mais bem colocados nas pesquisas, neste domingo, na TV Bandeirantes. O atual prefeito e candidato à reeleição, Cesar Maia (PFL), sofreu críticas do senador Marcelo Crivella (PL), Luiz Paulo Conde (PMDB) e Jandira Feghali (PC do B) pela "omissão" diante do problema e do "autoritarismo" da Guarda Municipal.Cesar admitiu que a situação está "fora de controle", mas atribuiu a culpa pela violência à falta de humildade da governadora Rosinha Matheus (PMDB), que recusou a intervenção de 2 mil homens das Forças Armadas, proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em maio.Segundo Cesar Maia, o presidente lhe pediu para convencer a governadora a aceitar a ajuda. O prefeito passou a fazer uma "enquete" com os outros candidatos para saber quais deles o apoiaria no apelo à Rosinha pela intervenção. Ao fazer a pergunta para Conde, foi surpreendido pela resposta do ex-prefeito: "Primeiro temos que confirmar a conversa com o presidente, porque pode ser só mais um dos seus factóides", disse ele, referindo-se a uma estratégia de Cesar Maia, muito usada em seu primeiro mandado (1993-1996), de criar fatos inexistentes para ter repercussão na mídia.O debate começou com o apresentador, Carlos Nascimento, perguntando porque os candidatos gostariam de ser eleitos. Cesar Maia focou no descontrole da segurança pública e na necessidade de intervenção militar. Para o senador Crivella, a prioridade será tirar as criaças da rua e "governar com alma".Conde disse que irá dar prioridade a projetos que iniciou na sua gestão (1997-2000). Ressaltou ter sido o "criador" do programa Favela-Bairro: prometeu concluir a segunda etapa e contratar a terceira, criar estrutura para receber o Pan-americano, em 2007, candidatura que, segundo ele, foi encaminhada em sua gestão. O ex-prefeito reafirmou suas propostas de educação em horário integral para crianças de zero a dez anos e de passagem de ônibus a R$ 1.Três áreas serão priorizadas num eventual governo do deputado Jorge Bittar (PT): saúde, segurança e transporte. Ele prometeu colocar 300 equipes no programa Médico da Família, dobrar o efetivo da Guarda Municipal e implantar o bilhete único de ônibus, semelhante ao da Prefeitura de São Paulo. Para a deputada federal Jandira Feghali (PC do B), a omissão da atual gestão diante do caos na segurança pública é "notório". Ela voltou a acusar Cesar Maia de ser autoritário e colocar a Guarda Municipal "para bater em trabalhador". Candidatos vetam jornalistasNos dias anteriores ao debate, as assessorias dos candidatos vetaram dois jornalistas, que fariam perguntas no último bloco: Aziz Filho, da revista IstoÉ, rejeitado por assessores de Bittar, indignados com uma reportagem sua publicada nas semana passada, e Alexandre Freeland, de O Dia, vetado pela equipe de Jandira, por ser casado com uma jornalista que trabalha na campanha de Cesar Maia.No bloco destinado às perguntas dos jornalistas, um repórter do Jornal do Brasil manifestou repúdio ao veto dos dois colegas. Segundo ele, as regras do programa obrigava os jornalistas a enviarem as perguntas aos candidatos antes do debate, o que não seria democrático.

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