Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Maia diz que vai decidir sobre pedidos de impeachment 'no momento adequado'

Em debate com músico Tico Santa Cruz, presidente da Câmara dos Deputados também afirmou que é contra qualquer manifestação de rua durante a pandemia

Breno Pires e Karla Spotorno, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2020 | 21h20

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse neste sábado, 6, que terá que definir, “no momento adequado”, qual será o destino dos pedidos de afastamento do presidente Jair Bolsonaro que tem em seu gabinete. São mais de 35 pedidos para abertura de processo de impeachment contra o presidente da República. Maia também disse que é contra qualquer manifestação de rua em meio à pandemia do novo coronavírus.

“A decisão sobre se cabe ou não, se houve ou não crime de responsabilidade, vai ter que ser tomada no momento adequado. Eu não tenho essa convicção ainda hoje”, disse Maia, em um debate nas redes sociais promovido pelo músico Tico Santa Cruz.

Para o parlamentar, o “ideal” é que o Brasil não passe novamente por um processo de impeachment, apenas quatro anos após a destituição de Dilma Rousseff (PT) da Presidência da República. Mas o deputado mostra incômodo com o apoio do presidente Bolsonaro a ataques feitos ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso, por meio do comparecimento a atos antidemocráticos que pedem, inclusive, intervenção militar sobre os poderes.

“É óbvio que essas ameaças do presidente preocupam a todos nós. Então isso é uma questão que preocupa, faz a gente estar aqui discutindo [o fortalecimento da] democracia”, disse Rodrigo Maia na live realizada por Tico Santa Cruz, que tem organizado uma série de diálogos com autoridades e figuras públicas sobre política e pandemia.

O presidente da Câmara frisou que não gostaria que o Brasil passasse por mais um processo de impeachment e disse ouviu a mesma opinião do governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), opositor a Bolsonaro, em um debate recém-realizado.

Maia reiterou que defende o isolamento social e que observa pelas estatísticas que a curva de transmissão de covid-19 ainda não está caindo em muitas cidades e regiões. "Sou contra qualquer manifestação neste momento de pandemia", disse o deputado, que demonstrou preocupação com o aumento do número de contaminados e vítimas do novo coronavírus.

Na linha da defesa da democracia, Maia afirmou que os pedidos de fechamento do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional – tema recorrente em manifestações de apoio a Bolsonaro – são um tipo de violência que deve ser combatida, assim como violências de outra natureza. ""Defender fechamento de instituições é vandalismo", disse o deputado.

"Propor fechamento do Congresso, do STF é violência; jogar pedra, também", disse Maia, referindo-se ao confronto entre participantes de atos pró e contra o governo Bolsonaro e de manifestantes com a polícia no fim de semana passado. Sobre esse embate, Maia disse que não sabe qual grupo (pró ou contra o governo) "estimulou, atiçou o outro". "Mas o fato é que confrontos [em atos públicos] radicalizam o ambiente, o que é ruim para nossa democracia", disse.

 

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