Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia diz que Temer vai enfrentar cenário mais conturbado para se livrar de nova denúncia

Presidente da Câmara lamentou que Temer não tenha seguido seus conselhos após deputados barrarem a primeira acusação

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2017 | 21h00

BRASÍLIA - Em jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), na terça-feira, 3, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ter avisado o presidente Michel Temer de que há muitas insatisfações na base aliada, recomendou uma espécie de "refundação" do governo e previu que ele enfrentará mais dificuldades na votação da segunda denúncia.

Maia lamentou que Temer não tenha seguido o seu conselho, dado após a Câmara impedir a abertura de processo por corrupção passiva no Supremo Tribunal Federal, em agosto. Na época, o deputado chegou a sugerir ao presidente até mesmo mudanças no Ministério. "Só que ele não fez", observou.

Às vésperas de deixar o cargo, no mês passado, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot acusou Temer dos crimes de organização criminosa e obstrução da Justiça. Na avaliação de Maia, o cenário político, agora, está mais conturbado. 

O jantar de terça-feira reuniu senadores e deputados, a maioria de oposição ao Palácio do Planalto, como o ex-líder do PMDB Renan Calheiros (AL), que não poupou críticas a Temer e à condução do governo. “Foi uma reunião entre amigos. Minha casa não é local de conspiração. As críticas que faço ao governo são à luz do dia”, disse Kátia, que desde meados de setembro está suspensa de suas atividades partidárias por dar causa de declarações contra a cúpula do PMDB.

+++ PLACAR: Como votaram os deputados sobre a primeira denúncia

As estocadas na direção de Temer, as eleições de 2018 e a crise institucional protagonizada por Executivo, Legislativo e Judiciário predominaram no encontro. “A voz corrente na Câmara e no Senado é que a denúncia contra Temer e os ministros (Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral) deve ser rejeitada, mas ninguém sabe se o Brasil aguentará o custo disso. Vai sair muito caro”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), presente ao jantar.  “Teremos um presidente sangrando até 2018”, insistiu Renan.

Maia disse esperar “respeito” do PMDB, que vem assediando parlamentares em negociação com o DEM, mas não falou em rompimento com o governo, embora suas relações com o Planalto estejam desgastadas. O presidente da Câmara é o primeiro na linha de sucessão de Temer.

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“Eu me manifestei no jantar para dizer ao Rodrigo que ele tem um papel muito importante nesse processo todo, até 2018. De um lado, o governo semiparlamentarista está fragilizado e, de outro, ele vem assumindo cada vez mais protagonismo”, argumentou o senador Armando Monteiro (PTB-PE).

A difícil situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do mandato pelo Supremo - após denúncia apresentada com base nas delações da JBS -  foi outro tema do encontro. Para Renan, o Senado se “acovardou” ao esperar o julgamento do Supremo, marcado para o dia 17. A avaliação ali, porém, foi a de que a maioria do Senado não quis desafiar a Corte por temer retaliações, já que vários parlamentares são alvos da Lava Jato.  

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