Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Maia diz que ‘preferência’ é por candidato que derrote a ‘pata’ do governo na Câmara

Presidente da Câmara ainda não definiu nome para concorrer à sucessão; Planalto vai apoiar Arthur Lira

Anne Warth e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 17h48

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta quinta-feira, 10, o que tem chamado de “interferência” do Palácio do Planalto na disputa pelo comando da Casa e disse esperar que seu candidato derrote a “pata” do governo. Maia não anunciou oficialmente quem escolheu para disputar a sua sucessão, mas até agora o favorito é o deputado Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB).

"A preferência nunca será pessoal, é sempre uma preferência de quem consegue manter de pé um projeto para derrotar essa pressão, essa pata do governo dentro da Câmara dos Deputados, que vai ser muito ruim para a democracia”, disse ele. Na avaliação de Maia, ao agir assim o Planalto vai colocar em risco o relacionamento com todo o campo da centro-direita “que sempre votou a pauta sem precisar de emenda e cargo”.

O grupo do presidente da Câmara formalizou nesta quarta-feira, 9, um bloco parlamentar com seis partidos para a eleição na Casa, em 1.º de fevereiro de 2021. Além de Aguinaldo, os deputados Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Luciano Bivar (PSL-SP) aparecem na lista dos “presidenciáveis” do grupo. “Estamos conversando com os partidos de esquerda, com os deputados individualmente. Agora, os partidos precisam fechar isso para que fique mais fácil essa articulação”, afirmou Maia.

Questionado se o governo tem atuado para atrair apoio à candidatura do deputado Arthur Lira (PP-AL), líder do Centrão, com distribuição de emendas parlamentares, Maia não entrou em detalhes. “Se o orçamento é impositivo, a maior parte dele, espero que o governo não esteja interferindo dessa forma, apesar de os rumores não serem pequenos”, observou. “Cada vez fica mais claro que há um ambiente da candidatura do Bolsonaro e de uma outra candidatura. Vai se consolidar um outro campo que quer, de fato, diálogo”, afirmou.

O plano de Maia é fazer sempre um contraponto com Lira, nome apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Contrariado com o que definiu como “jogo jogado”, o vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP), deixou o grupo de Maia e fala agora em lançar sua candidatura como “terceira via”. Mas também pode acabar se juntando a Lira. O presidente da Câmara disse que gostaria de ver Pereira em seu bloco e, na tentativa de atraí-lo novamente, fez elogios à sua “capacidade de articulação”.

Para Maia, o Planalto não entrou “pesado” na disputa por causa de uma agenda econômica, mas, sim, por pautas de costumes e temas como armamento. “(Bolsonaro) não está tentando interferir pela pauta econômica. Está tentando pela pauta de costumes, armas, meio ambiente, minorias... É muito claro isso”, argumentou.

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