Najara Araújo/Agência Câmara
Najara Araújo/Agência Câmara

Maia diz não ter ‘dúvida nenhuma’ de que Pazuello cometeu crime no combate à covid

Presidente da Câmara defende que ministro da Saúde seja investigado pela condução da pasta durante pandemia no País

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2021 | 18h01
Atualizado 25 de janeiro de 2021 | 20h39

BRASÍLIA – Numa escalada das críticas à postura do governo na pandemia de covid-19, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse não ter dúvidas de que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, cometeu crime na condução do enfrentamento da doença. No sábado passado, a Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de investigação para apurar se houve omissão de Pazuello na crise provocada pela falta de oxigênio para pacientes com covid-19 em Manaus (AM), onde dezenas de pacientes morreram por asfixia.

“Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu crime, eu não tenho dúvida nenhuma. A irresponsabilidade dele (ao falar) de tratamento precoce, a irresponsabilidade de não ter respondido a Pfizer, a irresponsabilidade de não ter, como ministro da Saúde, se aliado ao Instituto Butantan para acelerar a produção daquela vacina, e não apenas a vacina da Fiocruz. Tudo isso caracteriza crime e a PGR (Procuradoria-Geral da República) está investigando”, disse Maia nesta segunda-feira, 25, em entrevista na Câmara dos Deputados.

A declaração de Maia faz referência a uma carta enviada pelo laboratório americano ao presidente Jair Bolsonaro e ao Ministério da Saúde ainda em setembro com apelo para que o Brasil fechasse acordo para a compra de vacinas. O acordo possibilitaria ao País ter iniciado a imunização no País antecipadamente. A correspondência foi revelada na semana passada pela CNN Brasil e o Ministério da Saúde confirmou ter recebido. Para Maia, se a pasta não respondeu à carta, isso pode ser configurado como ato criminoso e defendeu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). 

“Os crimes precisam ser investigados, por isso, defendo uma CPI”, disse. “Pela incompetência e irresponsabilidade, no mínimo, do ministro da Saúde, não vamos ter crescimento (da economia) de 7%, 8%, mas de 3%. Se o ministro da Saúde não respondeu à Pfizer, é crime. Não sei o termo técnico porque não sou advogado, mas para mim é crime.”

Em campanha para derrotar o candidato de Bolsonaro, Arthur Lira (Progressistas-AL), na disputa pela presidência da Câmara, Maia também comparou as políticas defendidas pelo chefe do Executivo a um vírus.

“Temos uma pandemia de coronavírus e temos outro vírus que circula pelo Brasil, e pelo mundo, que cega muito as pessoas em relação a esse nacional populismo, que teve a primeira derrota com (Donald) Trump”, disse Maia. “Todos os que se aproximam desse vírus, do nacional populismo, representado pelo presidente da República, acabam contaminados”.

O presidente da Câmara ainda reclamou de ataques proferidos por Lira contra ele nas redes sociais . “Ele deve ter transferido a senha das redes sociais para o Carlos Bolsonaro e o gabinete do ódio”, disse, em referência ao vereador pelo Rio de Janeiro e filho “Zero Dois” do presidente e ao grupo de servidores do Palácio do Planalto responsáveis por ataques a adversários do governo.

Em um vídeo divulgado nesta segunda-feira, 25, o candidato do Planalto critica o protagonismo do atual presidente. “Eu conto com seu voto, daqueles que querem que a Câmara em que o ‘nós’ substitua o ‘eu’. Uma Câmara de todos e não de um”, afirmou.

Maia diz que Baleia deve ganhar eleição no segundo turno

Maia avaliou ainda que o candidato à sua sucessão e seu aliado, Baleia Rossi (MDB-SP), tem atualmente a maioria dos votos para eleição do comando da Casa e deve ganhar a eleição em segundo turno. Ele projeta que Baleia tem atualmente 230 votos e disse que o adversário, Arthur Lira (PP-AL), teria menos de 200, perdendo espaço para o candidato avulso Fábio Ramalho (MDB-MG). Para ganhar a disputa em primeiro turno, o candidato precisa ter a maioria dos votos dos 513 deputados. No placar do Estadão, Lira está à frente de Baleia em votos declarados.

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O presidente da Câmara voltou a criticar a decisão de aliados de Lira de fazer a eleição para a presidência da Câmara de forma presencial. Ele disse que deputados de grupo de risco da covid-19 estão preocupados, mas que não há mais tempo para preparar a eleição para um sistema híbrido.

“Alguns deputados que estão no grupo de risco me mandaram mensagem, questionando, preocupados”, afirmou Maia. “Qualquer servidor ou deputado que esteja no grupo de risco e venha a ser contaminado saindo da sua cidade para cá e tenha algo mais grave, quis deixar claro que essa responsabilidade não quero que seja minha e não será minha porque votei contra”, disse.

Maia também criticou a decisão de fazer a eleição para a presidência da Câmara em 1º de fevereiro. Ele defendia dia 2. Para ele, isso fará com que a votação ocorra por volta das 21h30 e 22h, já que os blocos partidários devem ser registrados no mesmo dia.

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