André Dusek|Estadão
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Maia diz que governo federal está falido e critica Meirelles

Presidente da Câmara dos Deputados é pré-candidato à Presidência da República, assim como o ministro da Fazenda

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

09 Março 2018 | 20h20

RIO - O presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência da República pelo DEM, Rodrigo Maia (RJ), criticou nesta sexta-feira, 9, outro pré-candidato a presidente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Maia disse que é preciso sair do “discurso fácil” e ter coragem de dizer que, não apenas o Estado do Rio, mas o governo federal também  está falido. Segundo ele, o País “só não quebra porque pode emitir dívida ou emitir dinheiro”. Ele falou durante um almoço com empresários no Hotel Copacabana Palace, na zona sul do Rio. O encontro aconteceu um dia após Maia lançar sua pré-candidatura à Presidência da República.

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“Se nada for feito, em um momento rápido, vamos voltar a um período pré-1994, da hiperinflação, de um País sem expectativa, com a pobreza crescendo de forma permanente, e tenho certeza que não é isso que requemos”, disse. 

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Em tom crítico, Maia disse que Meirelles já defendeu o aumento de impostos. Acrescentou que o suposto desejo de Meirelles não teria o seu apoio, “nem da maioria do parlamento brasileiro”.

“Quando eu defendi, de alguma forma, a aprovação da PEC do Teto dos Gastos, pela primeira vez eu vi o governo tentar organizar as contas públicas reorganizando as despesas, não aumentando os impostos. Mas agora já vi que, de vez em quando, não parece ser verdade. De vez em quando, o ministro da fazenda diz que pode aumentar impostos. Bem, não teria o meu apoio, nem da maioria do parlamento brasileiro”, disse. 

O deputado também disse esperar  que “o Ministério da Fazenda entenda” que o governo deve dar suporte ao interventor federal na segurança do Rio (o general Walter Braga Netto), quando ele apresentar o seu planejamento orçamentário.

“Como agora estamos em intervenção federal, a responsabilidade também é nossa. O que a gente espera é que a Fazenda, junto com o presidente da República, depois de feito o planejamento, trate da determinação dos recursos”, disse. “Já que o governo federal tomou essa decisão corajosa, mas vamos dizer assim, muito extremada, espero que a Fazenda entenda que o suporte ao interventor é fundamental para que o Rio saia da situação que está”, acrescentou.

Tucanos. O presidente da Câmara afirmou que a sua candidatura é para valer, “mesmo com 1% de intenção de voto”. Ele afirmou acreditar ter espaço para construir a sua campanha como alternativa ao ciclo na política brasileira de polarização entre PT e PSDB, que julga encerrado. E voltou a fazer críticas à candidatura dos tucanos.

 “Olhando as pesquisas, você vai ver que a rejeição ao PSDB inviabiliza a vitória do partido num segundo turno, o que me faz perguntar se nós vamos querer que a extrema direita ou extrema esquerda vençam as eleições", disse.  “Eu acho que o PSDB, não o Geraldo (Alckmin), quero que isso fique claro, terá muita dificuldade de vencer as eleições no segundo turno. Se nós não tentarmos ocupar esse espaço de equilíbrio, acabar com esse radicalismo na política, o caminho estará aberto para que a eleição seja mais radicalizada do que nunca”, afirmou.

Maia também argumentou que, se quisesse negociar com o PSDB, “era mais fácil agora do que na frente”.

“Se a nossa intenção fosse utilizar a pré-candidatura como uma forma de barganhar, era muito mais fácil agora porque agora o Geraldo precisa de apoios. Garantir o apoio dele a mim para a reeleição a presidência da Câmara agora seria tudo mais fácil. Mas eu não nasci deputado, eu não nasci preso a cadeira de presidente da Câmara”, afirmou.

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