Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia diz que governo estimula candidatura de esquerda para enfraquecer seu grupo

Líder do Centrão, Arthur Lira (PP-AL) é o nome apoiado pelo Planalto para a presidência da Câmara

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 18h49

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o Palácio do Planalto tem estimulado uma candidatura própria da esquerda, nas últimas horas, com o intuito de enfraquecer uma frente mais ampla, liderada por ele, para derrotar o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL). Chefe do Centrão, Lira é o nome apoiado pelo governo para a presidência da Câmara.

“Acho que nas conversas mais fortes que estão acontecendo, o movimento das últimas horas é a tentativa de um terceiro candidato. Isso vem muito mais do governo (para) estimular uma candidatura que não apoie um movimento mais amplo de independência da Casa”, disse Maia em café com jornalistas, nesta quarta-feira, 16. “Se um partido de esquerda diz que não apoiará o candidato do governo, aí o movimento do candidato do governo qual é? É tentar estimular, dentro daquele partido, uma candidatura de esquerda. Então, quem estimula hoje uma candidatura de esquerda é o governo”, observou.

Maia tenta fechar o apoio de partidos da oposição ao candidato a ser lançado pelo seu bloco – os dois nomes que estão postos são os dos deputados Baleia Rossi (MDB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB). O partido mais resistente é o PT, a maior bancada da Câmara, com 54 deputados.

Na avaliação de Maia, o trabalho é para a formação de uma  candidatura em defesa da independência da Câmara. “A impressão que eu tenho é que esse sentimento é majoritário”, disse ele. “Claro que o governo está trabalhando, oferecendo emendas e cargos para atrair votos para o candidato dele. Não está escondendo de ninguém isso porque o ministro [Secretária de Governo, Luiz Eduardo Ramos] está recebendo no gabinete dele. O governo sempre tem força. Às vezes dá certo ou não”, afirmou.

Novo bloco. Maia montou um bloco com seis partidos (DEM, MDB, PSDB, Cidadania, PV e PSL) e aproximadamente 157 deputados. Agora, tenta expandir esse grupo com o apoio de legendas de oposição ao governo, como PDT e PSB. Para o presidente da Câmara,  a pauta de costumes é o que sustenta o processo político do presidente Jair Bolsonaro. “Ele não ter a pauta de costumes na Câmara reduz esse ambiente polarizado, que construiu a outra eleição e vai construir a próxima”, disse. “Ele não ter ambiente de debate na Câmara sobre armas, costumes, aborto diminui o debate na sociedade sobre a pauta que ele quer construir para a eleição dele. Ele não teve esse ambiente na Câmara nos últimos dois anos”, argumentou.

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