Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Maia diz que está à disposição da bancada do PT para que direitos de Lula sejam garantidos

Presidente da Câmara dos Deputados deu declaração após a discussão sobre a transferência de Luiz Inácio Lula da Silva de Curitiba para São Paulo

Mariana Haubert e Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2019 | 15h46

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta tarde que a determinação da Justiça de transferir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Curitiba para São Paulo é uma "decisão extemporânea" e se colocou à disposição da bancada do PT na Casa para que "o direito do ex-presidente seja garantido".

A discussão sobre a transferência do ex-presidente dominou parte do tempo de debate sobre os destaques apresentados à reforma da Previdência. Parlamentares alinhados ao presidente Jair Bolsonaro comemoraram a decisão judicial, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), mas outros parlamentares de partidos de centro criticaram.

"De fato, não é uma decisão simples, é uma decisão extemporânea. Aquilo que a presidência da Câmara puder acompanhar com a bancada do PT, estamos à disposição para que o direito do ex-presidente seja garantido", disse Maia.

Maia se pronunciou logo após um discurso inflamado feito pelo líder da bancada petista, Paulo Pimenta (RS), no plenário da Casa. O deputado afirmou que os parlamentares do partido se reunirão para discutir medidas que possam ser tomadas para reverter a decisão da 12ª Vara Federal de Curitiba.

"Não vamos aceitar que isso seja feito dessa maneira. O Parlamento não pode assistir de maneira silenciosa a esse ataque ao Estado Democrático de Direito. Se for necessário, a nossa bancada irá para o Supremo Tribunal Federal hoje (quarta) à tarde. Basta dessa escalada autoritária, basta da Constituição sendo rasgada diariamente. É preciso que o Poder Legislativo e a sociedade brasileira se levantem contra o avanço do autoritarismo e da perseguição", afirmou Pimenta.

O deputado afirmou que a decisão atendeu a uma solicitação feita pela Polícia Federal há mais de um ano e que não há nenhum fato novo recente para que Lula seja transferido.

"Sem nenhuma necessidade, a juíza determina essa transferência. É mais uma vez uma forma de criar um espetáculo porque os advogados ficaram sabendo pela mídia", disse. Pimenta acusou ainda o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de ter agido em conluio com procuradores para poder determinar a prisão de Lula quando ele era juiz. 

A reação de Maia foi vista por integrantes do PT e de outros partidos de oposição como algo positivo. O deputado Joaquim Passarinho (PSD-PA) afirmou ser contrário à decisão sobre Lula mesmo fazendo oposição ao PT. "Nunca votei no Lula e discordo de quase todos os argumentos do PT. Mas não concordo com a decisão que foi tomada fora de hora. Parece perseguição à toa", disse. Ao fim de sua fala, Maia concordou com ele.

Já o deputado Fábio Trad (PSD-MS) afirmou que a transferência representa a "expressão de uma vingança privada que atenta contra a ordem jurídica". "Não estamos aqui para defender este ou condenar aquele, mas o que essa juíza fez é um equívoco que afronta a ordem jurídica que hoje pode até sacrificar os direitos de um líder de esquerda, mas, se continuar a leniência, o silêncio e a covardia da direita que aplaude hoje, amanhã será um líder da direita que será sacrificado", disse. 

João Doria responde a Gleisi no Twitter

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também se manifestou, respondendo a uma provocação da presidente do PT, Gleisi Hoffmann. “Fique tranquila, ele será tratado como todos os outros presidiários, conforme e lei. Inclusive, o seu companheiro Lula, se desejar, poderá fazer algo que nunca fez na vida: trabalhar.” O comentário foi uma resposta à afirmação feita pela deputada de que a vida de Lula corria risco sob a polícia de Doria.

 

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