Maia diz que centralismo democrático o impede de falar do PSDB

O prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), recebeu em seu gabinete o pré-candidato a vice na chapa do tucano Gerlado Alckmin (PSDB), senador José Jorge (PFL-PE), e afirmou que a criação, prevista para terça-feira, de um conselho político para discutir os rumos da campanha encerrou a polêmica com os tucanos. "Decidi (encerrar a polêmica) faz mais ou menos uma hora e meia, quando o senador chegou aqui", disse o prefeito. "O PFL é um partido de certa maneira leninista, porque o centralismo democrático funciona no PFL", declarou. O conselho político estando presente, tomando uma decisão, todos nós dirigentes estaremos absolutamente disciplinados dentro do PFL. Não posso falar do PSDB. O centralismo democrático foi adotado pelos partidos comunistas. É um sistema de organização interna que obriga os militantes a defender e implementar as decisões da direção do partido. Ontem, Maia afirmou que continuaria a criticar publicamente a pré-campanha do PSDB enquanto não houvesse um comando unificado de tucanos e pefelistas. José Jorge disse que conversou com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), antes do almoço com o prefeito e afirmou que ele "está com o mesmo espírito de encerrar a discussão e levar esses temas para o conselho político". Perguntado se faria sugestões de mudança de rumo na campanha, o senador disse que ainda não existe campanha. "Ainda estamos na fase de formatação. O que temos hoje é pré-campanha." Segundo ele, a primeira missão é levar o candidato para o segundo turno. "O raciocínio do prefeito acho que é político, o meu é aritmético. Nós não estamos longe de chegar ao segundo turno." Segundo ele, a polêmica aberta por Maia não representa divergência.O prefeito disse que a polêmica não é desejável, mas ocorre apenas na mídia impressa, sem grande repercussão e o impacto que se imagina. "Está interrompida (a polêmica). Não há vencedores nem derrotados."SugestãoMaia sugeriu mudança na política de comunicação da campanha que estimule os eleitores e "os nossos" a acreditar na candidatura, votar e pedir voto. "Tem que ser um desafio percebido como factível. Estamos a quatro pontos de chegar ao segundo turno. É preciso dar um sinal de que o poder está próximo, e o poder está próximo, estamos convencidos disso", disse ele, referindo-se à soma das intenções de voto de pré-candidatos.José Jorge disse que Maia foi convidado para examinar pesquisas encomendadas pelo partido e fazer relatórios quinzenais, que serão usados para ajudar na concepção do discurso. De acordo com o prefeito, é preciso criar uma hierarquia de expressões e adjetivos para dar unidade à campanha. Ele citou pesquisa recente feita pelo partido em que o presidente Lula teria sido citado como ladrão por 7% e omisso por 26% em relação à denúncia do mensalão.

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