Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia diz que Bolsonaro quer Congresso como ‘anexo’

Presidente da Câmara critica interferência de Bolsonaro na disputa da Casa e diz que ele tenta enfraquecer deputados e o Parlamento

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2021 | 21h42

BRASÍLIA - Após o presidente Jair Bolsonaro deixar clara sua intenção de influenciar na disputa pela sucessão na Câmara, o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que essa intervenção deixará “sequelas”. Para o deputado, Bolsonaro quer fazer do Parlamento um “anexo” do Palácio do Planalto. Maia afirmou que o governo está usando a eleição no Congresso para formar uma maioria na base de pressões, ameaças, cargos e emendas.

Na sua avaliação, as promessas feitas a deputados em troca de apoio a Arthur Lira (Progressistas-AL) não poderão ser cumpridas, pois não há espaço fiscal no Orçamento. “É um alerta aos deputados e deputadas. A intenção do presidente é transformar o Parlamento em um anexo do Palácio do Planalto, o que enfraquece o mandato de cada deputado e deputada e, principalmente, o protagonismo da Câmara dos Deputados nos debates com a sociedade”, disse o presidente da Casa.

Mais cedo, após se reunir, em um café da manhã com deputados do PSL no Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse esperar ter influência na eleição para o comando da Câmara dos Deputados. “Vamos, se Deus quiser, participar e influir na presidência da Câmara com esses parlamentares (do PSL), de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil”, destacou.

Na reta final das eleições na Câmara, marcadas para 1.° de fevereiro, Bolsonaro intensificou a campanha por Lira. Na sexta-feira, promoveu um café da manhã com parlamentares da bancada ruralista, grupo que Bolsonaro cobrou para que apoiasse o líder do Centrão.

Maia considerou a manifestação do presidente como prova de que a Câmara precisa de um candidato que dialogue e atue com independência. “Que tenha equilíbrio como Baleia (Rossi, do MDB-SP), que não seja de oposição ao governo, o que o Baleia não é, mas que entenda que o Parlamento é um outro Poder”, declarou o deputado.

‘Ameaça’

Ainda de acordo com o presidente da Câmara, a formação de maioria no Congresso não pode se dar da maneira como o governo está fazendo. “Uma coisa é formação de uma base, e com essa base você governa com os partidos que fazem parte dessa base. Outra coisa é você ser minoritário na Casa, como é o governo, e tentar formar uma maioria na base da pressão, na base da ameaça, na base de troca de emendas.”

Segundo Maia, o governo já teria se comprometido com o pagamento de emendas fora do Orçamento no valor de R$ 20 bilhões. “Cada dia que passa você vê, as pessoas vão vendo que vão acabar sendo enganadas nesse toma lá dá cá. Vai ser um problema grave se por acaso eles vencerem a eleição. R$ 20 bilhões extraorçamentários é uma promessa que o governo e seu candidato não têm nenhuma condição de cumprir.”

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