Helvio Romero/Estadão
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Maia diz que Bolsonaro ‘desorganiza’ e gera ‘insegurança’ em entrevistas

Presidente da Câmara diz que o ‘ideal’ é que a relação entre os Poderes tenham ‘mais harmonia e menos conflito’

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2020 | 17h21

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse neste sábado, 30, que o diálogo com o presidente Jair Bolsonaro, no privado é positivo, mas o mesmo não acontece no público, quando o chefe do Executivo gera “insegurança”.

“Como presidente do Brasil, cada vez que ele vai para o enfrentamento, ele desorganiza e gera insegurança. Quando se conversa pessoalmente com ele a conversa é muito boa, o diálogo é positivo, mas quando ele vai para entrevista, ele acaba gerando insegurança”, disse Maia, em live pela internet nesta manhã, organizada pelo professor e advogado Fernando Passos. 

“O ideal é que a gente consiga ter mais harmonia e menos conflito”, disse o deputado. Maia afirmou que tem assumido esse papel e está conversando com os outros poderes. 

“O Parlamento serve para representar toda a sociedade, não apenas a parte que governa, e o Judiciário serve para garantir os limites dos outros dois Poderes. A gente não pode aplaudir uma decisão do Supremo com que concordamos e radicalizar contra uma decisão com que nós discordamos. Nós temos os instrumentos legais para recorrer”, disse.

Para Maia, Bolsonaro precisa buscar a harmonia. “Quando você é um deputado crítico, que vai para o enfrentamento, isso é uma coisa, quando você chega à Presidência da República, o seu papel é conciliar, você não é apenas o presidente dos que o elegeram, você é o presidente de todos os brasileiros”, disse.

Na última quinta-feira, 28, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se reuniu com Bolsonaro para pedir a pacificação entre os poderes. Maia decidiu não acompanhar o colega na visita. 

A reunião, pedida por Alcolumbre, ocorreu horas após o Bolsonaro ameaçar descumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo interlocutores, o senador foi ao Palácio no intuito de se colocar como um “emissário da paz” e defender o diálogo para que a “corda não estique mais”.

Maia tem atualmente 35 pedidos de impeachment contra Bolsonaro em sua mesa para analisar, mas tem sinalizado que não tocaram qualquer dos processos nesse momento.  Ainda na live, Maia voltou a cobrar do governo o envio das propostas das reformas tributária e administrativa.

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