Dida Sampaio / Estadão
Dida Sampaio / Estadão

Maia diz avaliar votação virtual restrita a deputados em grupos de risco da covid-19; Lira critica

Dos 513 deputados, 150 têm mais de 60 anos; Arthur Lira, candidato apoiado por Jair Bolsonaro, questionou 'a verdadeira intenção' da mudança

Camila Turtelli e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 17h45

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta quarta-feira, 6, que a eleição para a escolha de seu sucessor, marcada para 1º de fevereiro, pode ocorrer de forma virtual ao menos para parte dos deputados. Embora o formato ainda não esteja definido, Maia disse avaliar permitir que deputados em grupo de risco da covid-19 votem de forma remota. “Estamos fazendo um levantamento sobre os que tem comorbidades e os mais idosos”, disse ele. "Mas ainda não tem nada definido."

Dos 513 deputados, 150 têm mais de 60 anos. A Câmara também tenta levantar quantos parlamentares já tiveram covid-19 até o momento. 

Conforme mostrou o Estadão, com o aumento de casos da doença em todo o País e hospitais superlotados, a cúpula da Câmara passou a avaliar a votação remota. Embora ainda não haja decisão sobre o assunto, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, criticou a possibilidade.

"Nas eleições,148 milhões de eleitores tiveram a obrigação de ir às urnas e votar em plena pandemia. Agora, o presidente da Câmara @rodrigomaia e seu candidato @baleiarossi  querem votar remotamente na eleição p/ presidência da Câmara. Qual a verdadeira intenção por trás disso?", questionou.

Nos bastidores, adeptos da campanha de Lira dizem que ele tem mais chances de vencer a disputa se a eleição for presencial, porque pode virar votos no corpo a corpo, e há até mesmo quem aponte o receio de fraude durante a votação. Em documento enviado a Maia no dia 22 de dezembro, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, observou que o regimento da Câmara dos Deputados prevê apenas votações presenciais.

“Como garantir que o processo de escolha daquele que ocupará a 3ª posição constitucional na linha sucessória da Presidência da República não seja contaminado por ataques de hackers, que têm quebrado sistemas de segurança de órgãos, entidades e empresas mundiais?”, perguntou Ciro a Maia. “Qual a garantia de que o sigilo do voto de cada parlamentar será preservado, bem assim a integridade de sua escolha, já que o processo de votação será realizado pela ‘internet’, abrindo-se a possibilidade de ataques e manipulações externas?”

Adversário de Lira na disputa e apoiado por Maia, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) descartou a possibilidade de fraudes. “Isso é um factoide, síndrome de Trump”, disse ele, em referência às tentativas do presidente norte-americano Donald Trump, derrotado nas eleições do ano passado, de desacreditar o sistema eleitoral dos Estados Unidos mesmo sem apresentar provas.

Se a Câmara optar pelo formato remoto, esta não seria a primeira vez que os parlamentares escolheriam à distância nomes da Mesa Diretora. Em julho do ano passado, a Câmara elegeu os deputados Expedito Netto (PSD-RO) e Paulão (PT-AL) para os cargos, respectivamente, de 3º secretário e 4º suplente usando o sistema virtual. Eles substituíram Fábio Faria (PSD-RN), que assumiu o Ministério das Comunicações, e Assis Carvalho (PT-PI), que morreu após sofrer um infarto. O Sistema de Deliberação Remota (SDR) foi adaptado para assegurar o cumprimento do regimento interno, que exige o voto secreto.

 

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