MARCELO CHELLO / ESTADÃO
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Maia defende CPI da Covid contra Bolsonaro e afirma que impeachment 'não tinha chance'

Segundo o ex-presidente da Câmara, eleição de Lira mostrou que não havia 'perna política' para abertura do processo

Cássia Miranda, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 14h37

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) defendeu nesta terça-feira, 23, que a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar ações e omissões do governo federal no enfrentamento à pandemia seria mais efetiva do que abrir um processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o ex-presidente da Câmara, a eleição de Arthur Lira (Progressistas-AL), apoiado pelo Planalto para comandar a Casa, mostra que não havia "perna política" para levar adiante um processo de impeachment do chefe do Executivo.

"A eleição da Câmara provou que não tínhamos perna política. A força do governo prevaleceu", afirmou Maia em entrevista ao site UOL. Segundo ele, um impeachment, neste momento, geraria uma polarização, que "é tudo o que o Bolsonaro precisa e tenta fazer todos os dias".

“Estamos com muito problema na pandemia para fazer o que o Bolsonaro queria. Um impeachment, no meu ponto de vista, ia gerar uma polarização que é tudo o que o Bolsonaro precisa e tenta fazer todos os dias. Ia tirar da pauta a pandemia e ia colocar na pauta o impeachment, em que ele sairia vitorioso nesse primeiro momento”, completou.

Na avaliação de Maia, todos os políticos deveriam concentrar esforços na abertura da CPI da Covid-19, que já teve requerimento protocolado no Senado. A medida foi assinada por 30 parlamentares, três a mais do que o mínimo necessário, entre assinaturas físicas e virtuais, incluindo a do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do pedido.

“Acho que a CPI que o Senado e senadores já conseguiram assinaturas deveria ser a prioridade de todos nós políticos. Compreender em que condições o governo vem se omitindo, principalmente na área da saúde”, disse Maia. A instalação da comissão depende do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

O deputado ainda classificou como "crime grave" o fato de o governo não ter respondido aos contatos do presidente da Pfizer para compra de vacinas contra covid-19. Mais cedo, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro definitivo no Brasil da vacina produzida pela Pfizer. O governo brasileiro, porém, ainda negocia a compra do imunizante.

Ao ser perguntado se acredita que há crime de responsabilidade na condução do enfrentamento à pandemia por parte de Bolsonaro, Maia disse: “Eu acho que vai ter indício de muita coisa, por isso eu defendo a CPI”.

Daniel Silveira preso

O ex-presidente da Câmara elogiou a postura da Casa, que aprovou, na sexta-feira, 19, a manutenção da prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), detido por ordem do Supremo Tribunal Federal após publicar vídeo com ofensas e críticas aos ministros da Corte e apologia ao AI-5, ato mais duro da ditadura militar. Silveira segue preso em Niterói e, nesta terça, o Conselho de Ética da Câmara começa a analisar pedido de cassação contra ele.

De acordo com Maia, tanto o STF e quanto a Câmara atuaram para "evitar que o Brasil seguisse o caminho dos EUA" no fim do mandato do ex-presidente Donald Trump, quando seus apoiadores invadiram o Capitólio, deixando 5 mortos e dezenas de feridos. 

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