Maia critica STF por negar dados do inquérito de Cachoeira

'Se as informações são sigilosas, por que chegaram à imprensa?', questionou o presidente da Câmara, que assegurou que instalará CPI para investigar as relações políticas do contraventor

Denise Madueño, da Agência Estado

10 de abril de 2012 | 16h39

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) por ter negado ao Senado os documentos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que resultou na prisão de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e revelou uma teia de relações do empresário do jogo com políticos. Maia, que também solicitou as informações ao Supremo e ao Ministério Público, mas ainda não obteve resposta, avisou que não receberá bem essa negativa. "Eu estranho esse posicionamento do Supremo", disse Maia.

Nesta segunda-feira, 9, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi comunicado de que o Supremo não enviaria os documentos do inquérito, sob o argumento de que se trata de assunto sigiloso, protegido por lei.

"Eu não acho que seja razoável por parte do Supremo negar (os documentos). Boa parte das informações é pública. Agora vir dizer que são sigilosas, me parece uma situação complexa", afirmou Maia. "Se as informações são sigilosas, por que chegaram à imprensa? Elas saíram do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Federal e não podem ser entregue ao parlamento. Isso gera dúvidas quanto ao critério que está sendo usado", questionou. "Não vamos receber muito bem uma informação (do Supremo) com esse conteúdo, com esse grau de decisão (negativa)", disse Maia.

O presidente da Câmara já avisou que vai instalar a CPI na Câmara, para investigar Cachoeira e suas relações com políticos, caso o Senado não tenha interesse em uma CPI Mista, com deputados e senadores.

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