Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Maia afirma que aliança entre Lira e Bolsonaro é para 'enfraquecer o Judiciário'

Deputado avaliou que a proposta será arquivada em plenário; para ser aprovada, precisa do apoio de 308 deputados e de 49 senadores, em dois turnos de votação

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 23h55

BRASÍLIA - A decisão do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de levar a plenário a proposta que institui o voto impresso nas eleições de 2022 mostra que a aliança entre ele e o presidente Jair Bolsonaro tem o objetivo de enfraquecer as instituições democráticas, principalmente o Judiciário. A opinião é do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (sem partido-RJ).

 "A união entre eles não é pragmática, mas, sim, programática. Essa é uma aliança mais profunda e Lira deixa claro, com esta decisão, que tem o objetivo ideológico de enfraquecer o Judiciário", disse Maia ao Estadão/Broadcast.

Para Maia, com a decisão de levar a proposta a plenário, após o texto ter sido derrotado pelo placar de 23 a 11 na comissão especial,  Lira não vai ficar bem com ninguém, nem mesmo com os parlamentares da Casa. O deputado avaliou que a proposta será arquivada em plenário.

Para ser aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) precisa do apoio de 308 deputados e de 49 senadores, em dois turnos de votação.

O líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), disse que a decisão de Lira foi  “um erro grave”.  “Com isso, ele prorrogará a tensão política que o País vive, permitindo o avanço da escalada golpista de Bolsonaro. Mas a resposta da Câmara virá da votação no plenário, que derrotará o golpe do voto impresso”, afirmou Molon.

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), disse esperar que Lira  paute a proposta do voto impresso em plenário já na próxima semana. Para ele, o texto será derrotado e deve ser tirado do centro das discussões do Legislativo o mais rapidamente possível, para que o País possa voltar a debater assuntos relevantes.

"O presidente Arthur Lira age dentro do regimento interno, portanto não há nenhum questionamento sobre a decisão dele de levar o texto a plenário", observou Ramos. Mas faço um apelo para que essa matéria seja levada o mais rápido possível ao plenário, de preferência já na semana que vem, para que a gente tire esse assunto da nossa frente e discuta o que realmente importa para o País: vacina, emprego e comida."

O Estadão/Broadcast apurou que a intenção de Lira é levar a proposta do voto impresso para votação até a próxima quarta-feira.

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