Maia adia viagem ao Chile por motivos de 'força maior'

Presidente da Câmara iria para país na data prevista de votação do parecer sobre denúncia contra Temer na CCJ

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2017 | 11h25

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu adiar a viagem para o Chile que faria nesta quarta-feira, 18, dia em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa votará a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). Segundo interlocutores de Maia, ele decidiu adiar a viagem para data ainda não definida, por motivos de "força maior".

Em crise com o Palácio do Planalto, Maia anunciou na segunda-feira, 16, que viajaria nesta quarta-feira, 17, a Santiago. Segundo assessoria da Câmara, ele ficaria na capital chilena até quinta-feira, 19. Na cidade, estavam previstos encontros do parlamentar brasileiro com a presidente do Chile, Michele Bachelet, e com o presidente da Câmara dos Deputados daquele país, Fidel Espinoza Sandoval.

Maia estaria no exterior justamente nos dias em que a CCJ deve, de fato, votar o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a denúncia por obstrução da Justiça e organização criminosa contra Temer e os ministros. No relatório, o tucano recomendou a rejeição da denúncia. A discussão do parecer começou nesta terça-feira, 17. A votação, por sua vez, está prevista para quarta-feira, 18, quando o presidente da Câmara estaria decolando para o Chile, país onde nasceu. "Minha viagem poderia dar sinalização que estava abandonando a Câmara no momento em que a CCJ votaria a denúncia contra Temer", disse Maia.

VÍDEOS

O presidente da Câmara entrou em rota de colisão com o Palácio do Planalto no último fim de semana, após a publicação dos vídeos com a delação do doleiro Lúcio Funaro no site da Casa. Como mostrou o Estadão/Broadcast, o gesto foi entendido no governo como mais uma ação de Maia  para mostrar que está descolado do Planalto. Interlocutores de Temer avaliaram que Maia poderia não ter deixado disponível no site da Casa o material audiovisual da colaboração premiada.

Os vídeos da delação de Funaro foram divulgados no site da Câmara com documentos relacionados à segunda denúncia contra Temer e os ministros. O material foi enviado pela presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, com ofício expedido em 21 de setembro, uma semana após a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar a segunda denúncia contra Temer.

Segundo a presidência da Câmara, no ofício não há menção ao sigilo do material. No domingo, 15, por meio de assessoria, Cármen Lúcia afirmou que apenas oficiou Maia e o relator do inquérito, Edson Fachin, que é a autoridade máxima e única no processo. Segundo o gabinete de Fachin, a delação de Funaro não teve o sigilo retirado em nenhum momento e permanece secreta.

O secretário-geral da Mesa Diretora, Wagner Soares, que é subordinado a Maia, determinou, porém, que os vídeos fossem divulgados no site da Câmara. O material subiu na íntegra no dia 29 de setembro, uma semana depois de o presidente da Câmara disparar duras críticas a Temer e ao PMDB em razão do assédio dos peemedebistas a parlamentares do PSB com os quais o DEM negociava filiação.

O episódio levou a um bate-boca público entre Maia e a defesa de Temer. Sábado, 14, o advogado Eduardo Carnelós publicou nota para criticar “vazamentos criminosos”. Maia contra-atacou e disse que o defensor é “incompetente”. Carnelós recuou e, também em nota, disse que “jamais” imputou “a prática de ilegalidade, muito menos crime” ao deputado. Quando os vídeos vieram à tona, a nota de Carnelós irritou Maia, fez chegar a Temer sua insatisfação. “Não teve vazamento. O advogado é incompetente”, disse o presidente da Câmara à Coluna do Estadão. Em nota, Maia disse ainda ver com “perplexidade muito grande” ter sido tratado de “forma absurda” pelo advogado, “depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia”.

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