Maguito não acredita em entendimento

Ao admitir hoje que poderia abrir mão de sua candidatura à presidência do PMDB em favor de um candidato de consenso, o senador Maguito Vilela (PMDB-GO) disse que "a palavra agora está com o deputado Michel Temer (PMDB-SP)", candidato da ala governista ao comando partidário. Segundo Maguito, caberá a Temer e seus aliados aceitarem ou não três condições para que se consiga a unidade do PMDB: o rompimento do partido com o governo federal, a adoção da candidatura própria para presidente da República e a escolha do nome que disputará a sucessão presidencial em 2002. As teses teriam de ser aprovadas na convenção nacional do dia 9 de setembro. "Mas acho que eles (Temer e aliados) não vão aceitar o entendimento", analisa Maguito. Para ele, a ala governista que apóia Temer deseja definir essas questões somente no ano que vem, contrariando até mesmo a posição dos pré-candidatos, o governador Itamar Franco (MG) e o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "A estratégia deles é adiar a decisão e jogar o partido nos braços do governo federal e do PSDB no próximo ano", afirmou o presidente do PMDB que, hoje, em discurso na tribuna, disse que as bases do partido "não aceitam mais que o PMDB continue reduzido a moeda de troca, garantindo os interesses de um pequeno grupo dentro do governo Fernando Henrique".Além de condenar a "ingerência" do presidente Fernando Henrique Cardoso no PMDB, Maguito denunciou que ministros do partido, além do assessor presidencial Moreira Franco, estão telefonando para convencionais com o objetivo de "barganhar e oferecer cargos em troca do apoio" ao deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência do PMDB. O senador disse que os próprios convencionais, sobretudo do Norte e Nordeste, estão lhe telefonando para informar sobre as pressões. "Eles estão se aproveitando da pobreza e carência do Nordeste para fazer barganhas", ressaltou. Pelas contas de aliados de Maguito, o grupo de Temer não teria apoio suficiente para se eleger nos maiores colégios eleitorais como Minas, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No entanto, sua força estaria localizada no Nordeste por conta da força dos governadores do PMDB.

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