Magoado, até Almeida Lima abandona tropa de choque

Renan havia prometido entregar ao senador comando do PMDB em Sergipe, mas não cumpriu

Expedito Filho, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 Outubro 2007 | 00h00

A rede de interesses que levou um grupo de 12 senadores do PMDB a manter-se agarrado à sobrevivência política do presidente do Senado e correligionário, Renan Calheiros (AL), teve seus nós desatados com a incapacidade do alagoano em atender aos mais secretos desejos de seus aliados. Entre todos os companheiros de ocasião política, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) figura como símbolo maior dessa fidelidade aparentemente estóica. O parlamentar tinha a promessa de Renan de que seria o comandante político do PMDB em Sergipe. Como não foi atendido, Almeida Lima afastou-se de sua tropa de choque. Em Sergipe, ele mantinha uma disputa dura com os caciques locais em torno do comando do partido. Por mais que tenha realmente se esforçado, o apoio de Renan não foi de grande valia - Almeida Lima conseguiu o Diretório Municipal, mas terá de se submeter ainda a um sistema de prévias para dominar a máquina partidária. Na avaliação de um senador, ele não conseguiu o que pleiteava porque Renan não teve força política. Na terça-feira, dia em que, com a coragem de sempre, poderia ter defendido Renan da acusação de espionar dois colegas da oposição, o parlamentar sergipano não compareceu ao plenário e foi a ausência mais sentida de sua tropa de choque. "Estou de licença, cuidando dos meus interesses partidários em Sergipe", avisou ele, que vai relatar a quarta representação contra Renan no Conselho de Ética. Em sua retirada de cena, Almeida Lima não está sozinho. Suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), que nunca dependeu diretamente de votos para chegar ao Congresso, indicou que deverá licenciar-se. A exposição à radiação da crise Renan já estava intoxicando a vida privada do empresário Salgado, que chegou a relatar (por um dia apenas) o primeiro processo contra o presidente do Senado. Além disso, com o peemedebista alagoano combalido, o projeto de tornar-se figura de proa do Legislativo acabou naufragando. Muito antes da cena de ontem, quando Renan anunciou a licença de 45 dias, Gilvam Borges (PMDB-AP) já profetizava que a sobrevivência do presidente do Senado passava pela licença do cargo. Após a votação que o livrou da primeira acusação, a de usar um lobista de uma empreiteira para pagar a pensão de sua filha de 3 anos com a jornalista Mônica Velloso, Renan avaliou que, com o apoio obtido, estava forte o suficiente para enterrar as outras três representações que existiam à época contra ele, no Conselho de Ética. O cenário hoje é pior, pois o número de processos no colegiado aumentou: já são quatro em andamento. "Eu sobrevivi", desabafou à época da absolvição a um interlocutor. Em suas contas, a seu lado - além de Almeida Lima, Salgado e Borges - estariam outros oito senadores, os desejos deles, além das circunstâncias políticas. Esses oito parlamentares, todos peemedebistas, em que o presidente do Senado se apoiava eram José Sarney (AP), Romero Jucá (RR), Leomar Quintanilha (TO), José Maranhão (PB), Roseana Sarney (MA), Waldir Raupp (RO), Paulo Duque (RJ) e Valter Pereira (MS). A realidade mostrou que esse apoio era mesmo circunstancial.

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