Máfia do sangue atuou em pelo menos outros quatro ministérios

As investigações feitas pela Polícia Federal concluíram que a máfia do sangue não fraudava apenas licitações no Ministério da Saúde. Teve atuação em pelo menos outros quatro ministérios. A Operação Vampiro, que levou 17 pessoas para a prisão, vai ser desmembrada em outros seis inquéritos que deverão ser abertos na próxima semana pela PF. Hoje, investigadores que trabalham no caso descobriram quatro novas empresas do grupo no exterior. Duas delas ligadas ao empresário Jaisler Jabour de Alvarenga, que utilizava suas filhas, a modelo Ellen Jabour e Kelly Jabour, como laranjas nas transações financeiras feitas com firmas no Brasil.O principal foco da investigação está agora nas transações financeiras do grupo, principalmente em torno dos empresários Lourenço Rommel Ponte Peixoto, Laerte de Arruda Corrêa Júnior de do próprio Jabour, considerados os principais cabeças do esquema de fraudes em licitações. Jabour, por exemplo, é ligado a duas empresas off-shore no Uruguai. A primeira delas, a Fargin, com sede em Montevidéu, teria também uma espécie de filial no Brasil, que tem como principal acionista Kelly Jabour, filha do empresário. A outra firma é a Southwestrade, em que o empresário aparece por meio da ITC Lab Participações e investimentos, que tem em sociedade Rommel e Ellen Jabour, filha de Jaisler. "As duas filhas dele serão chamadas para prestar depoimento", afirma um investigador ligado à Operação Vampiro. Segundo ele, as mulheres poderão também ser indiciadas em alguns crimes. "Já temos elementos para tomar esta decisão." Elle e Kelly também serão citadas no relatório final do inquérito, que será concluído na próxima semana. As duas, disseram os investigadores, fizeram diversas movimentações dentro do Brasil, algumas chegando até a R$ 1 milhão. "Este é o principal indício de que as filhas de Jabour estavam sendo usadas como laranjas pelo próprio pai", afirma a fonte. Os investigadores estão examinando documentos apreendidos para verificar se Ellen e Kelly também tiveram operações financeiras para o exterior, já que a PF descobriu remessas para o Uruguai, Suíça e alguns países considerados paraísos fiscais no Caribe. "Houve movimentação de mais de US$ 1 milhão de uma vez só", acrescenta um investigador da Operação Vampiro. Mas a grande revelação da análise feitas nos documentos apreendidos foi a de que os integrantes da máfia do sangue também agiam fora do Ministério da Saúde. Os investigadores estão guardando sigilo sobre os orgãos que serão alvo de Operação Vampiro, mas pelo menos quatro deles já estão monitorados. Os analistas estão cruzando documentos para saber os tipos de fraudes que estavam sendo executadas pelo grupo, mas já se sabe que também era na área de compras.

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