Mães de índio e de acusado acompanham julgamento

Em lados opostos, duas mulheres se destacavam na platéia formada basicamente por índios e estagiários de direito, no julgamento do assassinato de Galdino Jesus dos Santos. Eram Minervina dos Santos, de 73 anos, mãe do pataxó assassinado, e Antônia Graça Silva, mãe de Antônio Novély Cardoso Vilanova, um dos quatro acusados. As duas choraram copiosamente e sentiram-se mal durante o primeiro dia de julgamento. Minervina clamava por justiça enquanto Antônia, calada, lia trechos da Bíblia que carregava.Logo pela manhã, dezenas de índios se reuniram em frente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Cantaram, fizeram rituais e assistiram a parte da sessão, sempre em revezamento. Quando terminou o primeiro depoimento, de Max Rogério Alves, a mãe de Galdino, chorando, teve de sair da sala, amparada por duas netas grávidas, filhas do índio assassinado. Escoltada por policiais militares, ela foi levada a uma repartição do Fórum.Sentada desde as primeiras horas da manhã na primeira fila da sala de sessões, Antônia apenas chorava, amparada pela amiga identificada como Graça, que condenava os jornalistas pelos comentários sobre Novély. "Eles já pagaram pelo crime que cometeram", afirmou a amiga.Até o final da tarde, a PM e a segurança do TJ não haviam registrado nenhum incidente, tanto na área externa quanto na área interna do prédio. Todos que queriam assistir à sessão passaram por detectores de metais e os índios, pintados para cerimônias, tiveram de deixar do lado de fora bordunas e outras armas.

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