Camila Domingues|Palácio Piratini|Divulgação
Camila Domingues|Palácio Piratini|Divulgação

Mãe de bebê que teve atendimento negado por ser petista diz que médica violou direitos humanos

Por mensagem de texto, pediatra informou que estava 'declinando, em caráter irrevogável', de continuar atendendo o filho a vereadora suplente Ariane Leitão, do PT de Porto Alegre

Gabriela Lara, correspondente, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 21h12

PORTO ALEGRE - Em tempos de acirramento do debate político no País, a vereadora suplente Ariane Leitão, do PT de Porto Alegre, viveu uma situação inusitada por conta de sua filiação partidária. Há duas semanas, um dia após a nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil e a divulgação da conversa entre ele e a presidente Dilma Rousseff, Ariane recebeu uma mensagem de texto em que a pediatra Maria Dolores Bressan informava que estava “declinando, em caráter irrevogável”, de continuar atendendo seu filho de 1 ano.

Segundo Ariane, a médica acompanhava o bebê desde seu primeiro mês de vida, pelo plano de saúde. Na mensagem, ela pede que a mãe não insista em marcar mais consultas. “Depois de todos os acontecimentos da semana e culminando com o de ontem, onde houve escárnio e deboche do Lula ao vivo e a cores, para todos verem (representante maior do teu partido), eu estou sem a mínima condição de ser Pediatra do teu filho”, disse. Ariane relatou o ocorrido nas redes sociais e o assunto ganhou repercussão. O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) defendeu a postura de Dolores e disse que ela respeitou o Código de Ética Médica. A profissional foi procurada pela reportagem, mas não quis comentar. Abaixo, os principais trechos da entrevista de Ariane ao Estado:

Como você reagiu à mensagem enviada pela pediatra do seu filho?

Ficamos chocados e entendemos que é uma violação de direitos umanos de uma criança. Fere a ética profissional. Ela declinou do atendimento e não indicou outro médico. Pra gente que é mãe, e que tem uma relação de cumplicidade com a médica do teu filho muitas vezes maior do que com o teu próprio médico, é chocante, é surpreendente e também deprimente, porque é a manifestação de ódio contra um bebê, e nada pode ser pior do que isso.

Durante o período em que conviveram, vocês tiveram algum tipo de indisposição por conta da posição política de cada uma?

Nunca.

Vocês falavam sobre questões políticas?

Nunca falamos sobre política. A única vez que o tema surgiu foi quando eu assumi temporariamente como vereadora. Meu filho tinha 2 meses e meio e eu ainda estava amamentando. Então eu tive que dizer para ela que estava assumindo. Ela me perguntou a que partido eu pertencia e eu respondi que era do PT. Não teria por que eu tratar de política com ela. Ela deve ter descontado em nós, em mim e no meu filho, a raiva que ela estava sentindo pela situação que o País vive hoje.

Você tomou alguma medida com relação ao ocorrido?

Ainda estamos estudando com os advogados que ações legais serão tomadas. Por enquanto o que fizemos foi denunciar o caso ao Conselho Regional de Medicina.

Como você encara as opiniões das pessoas sobre o caso? Há defensores dos dois lados...

As pessoas que se manifestam a favor da médica é só no sentido passional da questão de (eu) ser petista, politizando o caso. Em nenhum momento eu tratei assim. Ao contrário, eu denunciei uma politização e sigo denunciando. Acho que qualquer mãe ou qualquer pai no meu lugar faria a mesma coisa.

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