Madeireiros fecham estradas no sul do Pará

As duas principais estradas do sul do Pará, uma que liga o Estado ao Mato Grosso e outra, que liga Redenção ao Estado do Tocantins, estão bloqueadas há dois dias por madeireiros. Eles protestam contra decisão da presidência do Ibama, que proibiu extração, transporte e comercialização de mogno em todo o País. Os engarrafamentos de carretas e caminhões com cargas perecíveis vindas de São Paulo e Paraná já provocaram brigas e ameças de morte nas barreiras. A Polícia Militar foi chamada para liberar o tráfego, mas parece não ter força para acabar com a manifestação. Na estrada que liga Redenção a Conceição do Araguaia, a fila de carros, nesta manhã, era de dez quilômetros. Os madeireiros radicalizaram no protesto, impedindo a passagem pelos bloqueios até de pessoas conduzidas em veículos que se dirigem para outras cidades em busca de atendimento médico. O caminhoneiro catarinense Glauco Stolowich disse ter sido ofendido por madeireiros ao reivindicar seu direito constitucional de ir e vir. "Fui chamado de moleque e quase espancado. Meu caminhão está há 48 horas impedido de seguir viagem, e a carga, composta de alimentos e frutas, está apodrecendo".Entidades de madeireiros de Redenção reclamam que a decisão do Ibama provocou prejuízos ao setor que ultrapassam dezenas de milhões de reais, além de estimular o desemprego de pelo menos 20 mil famílias na região. Até agora, segundo as entidades, três mil trabalhadores foram demitidos no município. Pior, porém, é a inadimplência no comércio local, que supera R$ 30 milhões. "A cidade está parada e muitos comerciantes ameaçam fechar as portas, porque não conseguem sobreviver com tantas dívidas acumuladas de seus clientes", conta o gerente de serraria Sérgio Rodolfo Braga. Ele explica que a atividade madeireira é responsável por mais de 60% da economia do município. Segundo os madeireiros, a decisão do Ibama foi arbitrária. E prometem suspender o bloqueio das duas rodovias somente depois de o Ibama revogar sua portaria que proibiu a extração e o comércio de mogno.

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