Maciel também nega participação na fraude do Detran-RS

'Não tenho a menor relação com esse assunto', disse ex-tesoureiro do PP no RS, à CPI que investiga o caso

Elder Ogliari, Agência Estado

02 de junho de 2008 | 21h27

O ex-tesoureiro do PP no Rio Grande do Sul, ex-superintentendente da Assembléia Legislativa e ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) Antônio Dorneu Maciel negou ter participado da fraude que desviou R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS) entre 2003 e 2007. "Não tenho a menor relação com esse assunto", sustentou, em depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o caso, nesta segunda-feira, 2, em Porto Alegre. Segundo o inquérito da Polícia Federal e a denúncia do Ministério Público Federal que motivou a abertura de um processo contra 40 pessoas na semana passada, Maciel disponibilizava seu apartamento em Porto Alegre para a entrega de propinas, recolhidas de empresas prestadores de serviços superfaturados, a diretores do Detran. A investigação da Polícia Federal indicou que Rubem Höher, ex-coordenador de um projeto do Detran junto à Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae), contratada sem licitação, entregou uma maleta preta com dinheiro no apartamento de Maciel durante o ano passado. O acusado admitiu ter recebido Höher duas vezes, mas alegou que o assunto das reuniões era um projeto filantrópico da Fundae que a CEEE, da qual era diretor à época, poderia ajudar. Ressaltou, ainda, que a pasta que Höher portava era de um notebook com acessórios para conexão à internet. No restante do depoimento, Maciel insistiu desconhecer o esquema fraudulento, pelo qual o Detran contratava a Fundae sem licitação e esta terceirizava serviços para empresas, identificadas como sistemistas, que superfaturavam preços e distribuíam lucros ilegais entre seus sócios e a diretores da autarquia. "Eu não sabia de ações de sistemistas porque sequer sabia da existência de (fundações) contratadas (pelo Detran), não conhecia esse assunto", reiterou, prometendo provar sua inocência na Justiça, como um dos 40 réus. Secretário blindado Pela quinta vez os deputados da oposição fracassaram na tentativa de aprovar um requerimento para convocar o secretário-geral de governo do Rio Grande do Sul, Delson Martini (PSDB), para depor na CPI do Detran. O autor do pedido, Elvino Bohn Gass (PT), disse que Martini tinha conhecimento da fraude e chegou a ligar para o ex-diretor do Detran Flávio Vaz Neto para pedir explicações sobre o afastamento das duas empresas sistemistas de Lair Ferst do esquema em abril do ano passado. Martini mantém silêncio sobre o assunto. Os deputados aliados da governadora Yeda Crusius alegam que o secretário não teria informações novas a apresentar à CPI.

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