Imagem João Domingos
Colunista
João Domingos
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Machado vai pedir licença da presidência da Transpetro

Afilhado de Renan Calheiros pedirá licença do cargo para evitar que a presidente Dilma Rousseff faça pressão no PMDB por conta das investigações da Lava Jato

João Domingos, O Estado de S. Paulo

03 de novembro de 2014 | 16h06

Brasília - Afilhado político de Renan Calheiros, o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, vai pedir licença do cargo. A ideia é ficar longe da estatal enquanto durarem as auditorias, visto que o nome de Machado foi citado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Com isso, o PMDB procura evitar que a presidente Dilma Rousseff faça pressão sobre o partido para que aceite sem reação o afastamento de Machado. 

Trata-se de uma solução à Henrique Hargreaves que, durante o governo Itamar Franco, afastou-se da Casa Civil enquanto a CPI dos Anões do Orçamento investigava se o ministro tinha alguma implicação nos desvios de verbas orçamentárias. Como nada foi constatado, Hargreaves voltou por cima e reassumiu a Pasta. O PMDB acredita que isso poderá ocorrer também com Machado. 

A saída imediata de Sérgio Machado da presidência da Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobrás, foi uma das condições impostas pela PriceWaterhouseCoopers para auditar o balanço da estatal. O assunto foi discutido em uma turbulenta reunião do Conselho de Administração da companhia na sexta-feira passada. Segundo relatos, dez conselheiros ficaram divididos sobre a decisão.

A Price é a auditora independente que avaliza os balanços operacionais e financeiros da Petrobrás. O envolvimento da petroleira em denúncias de corrupção e as revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa no processo da Operação Lava Jato levaram a Price a impor algumas exigências para referendar o balanço. Entre elas, a contratação de duas empresas independentes para atuar na investigação interna - o que já foi providenciado - e o afastamento do presidente da Transpetro.

Ex-deputado e ex-senador, Machado é aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e, desde o início do governo Lula, em 2003, preside a Transpetro. Seu nome foi citado por Costa em depoimento à Polícia Federal. O ex-diretor afirmou que recebeu R$ 500 mil em dinheiro das mãos de Machado dentro do esquema de pagamento de propina na estatal. Recentemente, o Ministério Público Federal pediu à Justiça o seu imediato afastamento e bloqueio de seus bens por fraude em processo de licitação para compra de 80 barcaças e 20 empurradores pelo Estaleiro Rio Tietê.

Tudo o que sabemos sobre:
PetrobrasTranspetroLava Jato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.