Tasso Marcelo/Estadão - 04.07.2012
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Machado estica licença de cargo da Transpetro

Presidente da subsidiária de transporte da Petrobrás citado na Lava Jato consegue prorrogar afastamento até o dia 21 de janeiro

Fernanda Nunes e Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2015 | 22h09

Atualizado em 06.01

RIO - O presidente licenciado da Transpetro, Sergio Machado, conseguiu prorrogar seu afastamento do cargo até o dia 21 de janeiro. É a segunda vez que Machado obtém adiamento da licença da presidência da subsidiária de transporte da Petrobrás. A primeira havia expirado no último fim de semana.

Há dois meses, a Transpetro é presidida interinamente pelo diretor Cláudio Ribeiro Teixeira Campos, funcionário de carreira da Petrobrás.

Machado foi citado como integrante de um esquema de desvio de recursos da companhia pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, delator na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Costa disse ter recebido das mãos de Machado R$ 500 mil como pagamento de propina.

O executivo está fora da Transpetro desde o dia 3 de novembro, quando pediu a primeira licença do cargo, que ocupa desde o primeiro mandato do governo Lula, em 2003. Passados 31 dias, garantiu mais um mês de afastamento da presidência da empresa, período em que ficou sem receber salário, mas também evitou a demissão decorrente de denúncias de corrupção. A última licença obtida pelo executivo venceu no último fim de semana.

Afilhado. Ex-senador pelo Ceará, Machado é afilhado político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O aliado atuou nos bastidores pela permanência do presidente no cargo. Em troca, articulou a votação de projetos de interesse do governo, como a revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2014, que permitiu o descumprimento da meta de superávit.

A declaração de Costa sobre Machado levou a empresa de auditoria da Petrobrás, PricewaterhouseCoopers (PwC), a demonstrar constrangimento em validar o resultado financeiro do terceiro trimestre da estatal diante da permanência em um dos principais cargos executivos da empresa, o de presidente da subsidiária de logística, de um nome denunciado à Polícia Federal.

Diante do impasse entre atender às reivindicações da auditoria, e assim avançar para conseguir ter o balanço auditado, e afastar do cargo um dos seus presidentes em meio à enxurrada de denúncias de desvios de recursos, a solução encontrada foi afastar Machado do cargo.

Fraude. Além de ser alvo de investigação da Polícia Federal, Machado é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de fraudar licitação em 2010. A concorrência é destinada à aquisição de 20 comboios que transportarão etanol no Estado de São Paulo. Segundo o MPF, há indícios de favorecimento do consórcio vencedor, o Rio Maguari.

Conforme publicou o Estado em novembro, empresas participantes do consórcio financiaram a campanha eleitoral de Renan Calheiros em 2010. A SS Administração e Serviços e a Rio Maguari Serviços e Transportes Rodoviários, ambas instaladas no Pará, doaram R$ 400 mil ao PMDB de Alagoas três meses antes de vencerem a licitação. Calheiros e as empresas negaram qualquer irregularidade nas doações. Desde quando foi licenciado, Machado afirma que as acusações contra ele são levianas.

Ao anunciar seu afastamento da presidência, ele disse que a decisão fora "espontânea", para evitar que sua permanência atrapalhasse o trabalho dos auditores e a divulgação do balanço financeiro da Petrobrás relativo ao terceiro trimestre do ano passado, o que ainda não aconteceu. Segundo a estatal, o resultado será publicado ainda neste mês, mas sem a validação da auditoria.

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