Infográfico/Estadão
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Machado cita ‘mensalão’ da cúpula do PMDB

Delator diz que Sarney, Jucá, Lobão e Renan recebiam por mês e por meio de doações; Renan afirma que todas as doações foram legais e outros negam ter recebido qualquer valor

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 09h46

O delator Sérgio Machado afirmou à Lava Jato que pagou de 2008 a 2014 um mensalão para a cúpula do PMDB. Os pagamentos começaram depois que o senador Edison Lobão (MA) foi nomeado ministro das Minas e Energia, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os valores eram de R$ 200 mil a R$ 300 mil por mês. Além de Lobão, receberiam a propina mensal o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o senador Romero Jucá (RR) e o ex-presidente José Sarney (MA).

Calheiros, Jucá e Sarney tiveram conversas gravadas por Machado. Nelas, segundo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, eles tramam a obstrução da Lava Jato. Por isso, ele pediu a prisão dos três, negada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

Machado afirmou que foi procurado individualmente pelos peemedebistas. Ele diz que todos lhe pediam ajuda para que pudessem manter “suas bases eleitorais”. Assim teria ocorrido com Sarney. O primeiro repasse do “fundo da propina” gerenciado por Machado ao ex-presidente e então senador foi de R$ 500 mil. Entre 2004 e 2007, os pagamentos aos políticos seriam “erráticos”. Depois, além do mensalão, a cúpula do PMDB receberia propina por meio de doações oficiais para campanhas eleitorais em 2010, 2012 e 2014. O dinheiro, nesse caso, seria enviado para o diretório nacional do partido ou para os estaduais.

Assim, Sarney teria recebido R$ 18,5 milhões, sendo R$ 2,25 milhões pagos por meio de doações oficiais. No caso de Jucá, Machado afirmou que fazia a entrega do dinheiro pessoalmente – na maioria das vezes, no gabinete do senador. Por mês, Jucá receberia R$ 200 mil. Ao todo, Machado diz que pagou R$ 21 milhões ao senador. O delator diz que se reunia com Renan na casa do presidente do Senado. Ele conta que dava R$ 300 mil por mês, além de doações para eleições. O senador teria recebido R$ 32 milhões, dos quais R$ 8,2 milhões em doações oficiais.

Machado contou ainda que Lobão queria ter a maior mesada entre os peemedebistas – R$ 500 mil. O delator afirmou ter dito ao então ministro que esse valor era impossível, que o máximo que conseguiria seria R$ 300 mil. O dinheiro seria entregue em um escritório no Rio, para Márcio Lobão, filho do senador. Pelas contas de Machado, Lobão recebeu R$ 24 milhões – R$ 2,75 milhões em doações durante campanhas eleitorais.

Por fim, Machado também relatou pagamentos a mais três senadores do PMDB: Jader Barbalho (PA), que teria ficado com R$ 4,25 milhões; Valdir Raupp (RO), com R$ 850 mil, e Garibaldi Alves (RN), que teria obtido R$ 450 mil para a campanha de seu filho, Walter Alves. Já o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB) teria recebido R$ 1,55 milhão.

‘Estrume’. Renan afirmou que a delação o “cita, mas não prova nada”. Disse ainda que todas as doações foram legais. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende Sarney, Jucá e Lobão, afirmou que eles “negam peremptoriamente terem recebido qualquer montante” do delator. Sobre Machado, Jader disse: “Eu não leio sobre estrume, que é o que esse criminoso é. Não perco o meu tempo”. Raupp afirmou que nunca pediu doações a Machado. O PMDB informou que “sempre arrecadou recursos seguindo os parâmetros legais”. Garibaldi negou qualquer irregularidade. Henrique Alves disse repudiar “a irresponsabilidade e leviandade das declarações desse senhor”. / MARCELO GODOY, FAUSTO MACEDO, JULIA AFFONSO, MATEUS COUTINHO, JULIA LINDNER e ISABELA BONFIM

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