Mabel bate Palocci e relatará reforma tributária

Disputa pelo cargo entre PR e PT, que integram a base, incluiu cobrança de acordo feito em 2007

Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2008 | 00h00

Depois de uma disputa tensa entre partidos da base, pressões nas votações do plenário e ameaças de rompimento de acordo para a próxima eleição para a presidência da Câmara, o PR conseguiu emplacar o deputado Sandro Mabel (PR-GO) como relator na comissão especial que vai analisar a proposta de reforma tributária. O PT, que cobiçava o cargo, garantiu o deputado Antonio Palocci (SP) na presidência da comissão. Os dois nomes foram anunciados oficialmente ontem pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). A comissão especial deverá ser instalada na quarta-feira.O PMDB, que já havia indicado o deputado Edinho Bez (PMDB-SC) para presidir a comissão, teve de ceder. Acabou se contentando em ficar com a vice-presidência da comissão. Ao anunciar os nomes, Chinaglia afirmou que o fato de Mabel ter sido citado no escândalo do mensalão não o descredencia a ocupar o cargo. Chinaglia disse o mesmo sobre Palocci, denunciado pelo Ministério Público Federal por quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa - que, em entrevista ao Estado, o acusara de freqüentar casa no Lago Sul de Brasília ocupada por lobistas, quando era ministro da Fazenda."O deputado Mabel foi citado no escândalo do mensalão, mas foi absolvido por unanimidade no Conselho de Ética e também foi absolvido no plenário (da Câmara). Não há processo contra ele no episódio", declarou o presidente da Câmara. "Porque alguém é mencionado, isso não o descredencia. Não significa que deva ser condenado ao fogo eterno. Se os líderes da base entendem que os nomes deveriam ser apresentados, eu não poderia fazer julgamento pessoal de conteúdo ético e moral." Mabel é identificado na Câmara como um deputado contrário ao fim da guerra fiscal, um dos pontos do projeto de reforma tributária encaminhado pelo governo. Chinaglia afirmou que, quanto a isso, o deputado do PR assumiu compromisso com os líderes do governo e da oposição de ouvir a opinião de todos para produzir seu parecer.O cargo de relator é considerado o mais importante da comissão porque cabe a ele elaborar o texto que vai a votação. Mesmo assim, o PT espera que Palocci, na presidência, exerça influência no parecer final.PRESSÃOA temperatura entre os partidos da base para a definição dos principais cargos da comissão subiu nos últimos dias. Quando a pressão a favor do petista aumentou, o líder do PR, Luciano Castro (RR), chegou a usar a tribuna da Câmara para mandar um recado ao governo de que poderia obstruir as votações, caso Mabel não fosse indicado para a relatoria. Além disso, também trocou palavras ríspidas com Chinaglia no gabinete da presidência da Câmara. A última cartada, no entanto, envolveu a disputa pela presidência da Casa. O PR, com o PP e o PTB, ameaçou não mais apoiar o deputado Michel Temer (PMDB-SP) para suceder o petista na renovação da Mesa Diretora no próximo ano. A eleição do peemedebista fez parte do acordo entre PMDB e PT que garantiu a vitória de Chinaglia em 2007.

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